Atual ministra do governo Lula, Tebet disse que deve deixar a pasta até o fim do mês de março para poder disputar o Senado por São Paulo
A filiação da ministra do Planejamento, Simone Tebet, ao PSB marca uma ruptura significativa com a trajetória política que construiu ao longo de quase três décadas no MDB, do ex-governador André Puccinelli.
A mudança, oficializada neste sábado (21), ocorre em meio à sua decisão de disputar uma vaga ao Senado por São Paulo.
Presente no MDB desde 1997, Tebet fez toda a sua carreira na legenda — de prefeita a senadora, passando pela candidatura à Presidência da República em 2022.
A saída representa, além de uma troca partidária, um reposicionamento político que chama atenção pelo alinhamento com a base do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Durante a campanha presidencial, Tebet adotou um discurso crítico ao PT e chegou a condenar publicamente episódios de corrupção associados a governos petistas. No entanto, no segundo turno, declarou apoio a Lula, movimento que já indicava uma inflexão em sua postura política.
Agora, ao ingressar no PSB — partido historicamente alinhado à esquerda e que integra o núcleo de sustentação do governo federal —, Tebet consolida essa mudança de posição radical. A nova sigla, inclusive, abriga o vice-presidente Geraldo Alckmin, reforçando a inserção da ministra no campo governista.
A decisão também tem leitura eleitoral. Ao mirar o Senado por São Paulo, maior colégio eleitoral do país, Tebet passa a atuar em um cenário estratégico para o projeto de reeleição de Lula. Nos bastidores, a movimentação é vista como parte da articulação para ampliar a base política do governo em estados-chave.
Em declarações recentes, a própria ministra reconheceu que vinha sendo incentivada a assumir esse novo papel. Segundo ela, conversas com Lula e Alckmin contribuíram para a decisão, além do desempenho eleitoral obtido em São Paulo na disputa presidencial.
A mudança de partido, no entanto, levanta questionamentos sobre coerência política. Críticos apontam que a guinada — de uma posição independente e crítica ao PT para a integração direta à base governista — evidencia um movimento pragmático, orientado mais por estratégia eleitoral do que por alinhamento ideológico.
Enquanto o PSB celebra a chegada da nova filiada como um reforço de peso, a saída de Tebet encerra um ciclo de quase 30 anos no MDB e expõe as transformações recentes no tabuleiro político nacional, onde alianças e discursos vêm sendo redesenhados com rapidez.

