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segunda-feira, 31 de agosto de 2026
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Em conversa com produtores, Carlos Bernardo defende agroindustrialização para gerar renda nas famílias

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Debate passa por mandioca, frigoríficos de pequeno porte, produção de ovos, cooperativas e acesso a recursos públicos; candidato afirma que incentivo à produção precisa vir acompanhado de industrialização e mercado

Produzir mais não basta se o pequeno agricultor não souber onde processar, para quem vender e quanto vai receber pelo que sai da propriedade. Esse foi um dos principais pontos de uma conversa entre o candidato a deputado federal Carlos Bernardo e lideranças ligadas à agricultura familiar, em um debate que avançou sobre os gargalos enfrentados pelos pequenos produtores de Mato Grosso do Sul.

Da Associação Abrão Lincon, Júnior Sobrinho, apresentou exemplos de atividades que poderiam ampliar significativamente a renda das famílias rurais, mas que esbarram na falta de estrutura para industrialização, assistência técnica, organização das cooperativas, capital de giro e acesso aos programas públicos.

A mandioca apareceu como um dos exemplos mais claros. Segundo o produtor, quando cultivada de maneira planejada e associada ao processamento e à comercialização, a cultura pode oferecer rentabilidade muito superior à obtida pelo agricultor que simplesmente arrenda a terra para a produção de grãos.

“Temos lá na associação produtores interessados em organizar uma produção escalonada, com variedades precoces e entregas semanais, mas o projeto só se sustenta se houver comprador, estrutura de beneficiamento e previsibilidade de renda”, disse.

Carlos Bernardo chamou atenção justamente para essa necessidade de olhar a cadeia por inteiro. “Não basta estimular o produtor a criar frangos, plantar mandioca ou aumentar a produção se, na etapa seguinte, ele continuar sem saber onde abater, processar e comercializar”, afirmou.

A discussão passou também pela possibilidade de implantação de pequenos abatedouros. Junior Sobrinho acrescentou que, na maioria das vezes, o pequeno agricultor não dispõe de um caminhão de animais diariamente para abastecer um frigorífico. Por isso, é necessário organizar vários produtores, estabelecer escala de produção e criar uma estrutura compartilhada.

Entre os dados apresentados na conversa, um levantamento chama a atenção: quatro hectares de mandioca, em um sistema organizado de produção e comercialização, poderiam gerar aproximadamente R$ 100 mil por ano.

O presidente da Associação Abrão Lincon, Marcial Jaques Echeverria, explicou que um hectare bem conduzido e associado ao beneficiamento pode proporcionar resultado superior ao obtido com áreas muito maiores arrendadas para soja.

Outro exemplo apresentado foi a produção de ovos. Junior Sobrinho relatou que o custo atual da ração reduz drasticamente a margem. Segundo ele, um saco de 30 quilos chega a custar aproximadamente R$ 77.

Caso uma estrutura coletiva permitisse reduzir significativamente esse custo, a produção passaria a ter outra viabilidade econômica. A diferença poderia permitir que pequenos produtores entregassem dezenas de dúzias semanalmente aos mercados da região e ainda mantivessem margem de lucro.

Para Carlos, exemplos como esse demonstram que políticas voltadas à agricultura familiar precisam atacar os custos e os gargalos da cadeia, e não apenas financiar o início da produção.

A conversa também revelou outro obstáculo recorrente: cooperativas que existem formalmente, mas não possuem capacidade administrativa suficiente para disputar editais e executar projetos.

O produtor relatou situações em que recursos deixaram de ser acessados porque faltavam documentos, cadastros atualizados ou pessoas preparadas para operar plataformas públicas. 

Ele defendeu que municípios e órgãos de desenvolvimento disponham de equipes capazes de praticamente funcionar como escritórios de projetos para os agricultores. A ideia seria auxiliar produtores e cooperativas na preparação de documentos, inscrições em programas, elaboração de propostas e acompanhamento de convênios.

Além da produção

Carlos Bernardo levou ao debate uma questão além da produção: como fazer o jovem se interessar pelo trabalho no campo? Ele lembra que desenvolver a agricultura familiar não significa necessariamente manter os filhos dos produtores na propriedade.

A ideia é justamente criar renda suficiente para que essas famílias possam escolher. O agricultor pode querer que o filho seja médico, advogado ou professor. E, ao mesmo tempo, uma região com agroindústrias mais desenvolvidas passa a demandar mão de obra qualificada como veterinários, agrônomos, técnicos, profissionais de alimentos e outros trabalhadores, abrindo possibilidade para que jovens formados possam escolher retornar ao interior com novas oportunidades profissionais.

Outro ponto que preocupa os interlocutores foi a implantação de novos lotes rurais sem um projeto econômico simultâneo. O questionamento foi direto: entregar terras sem assistência, produção organizada, industrialização e mercado pode condenar o agricultor a vender a terra ou abandonar a atividade.

Por isso, o grupo discute iniciar uma experiência, estruturando desde o começo produção, variedade cultivada, escala e comercialização.

Para Carlos, esse tipo de planejamento representa uma mudança na lógica tradicional das políticas para o campo. Em vez de simplesmente entregar terra, equipamento ou crédito, o poder público precisa ajudar a criar uma atividade economicamente sustentável. É essa combinação que pode transformar a agricultura familiar em instrumento real de crescimento econômico e melhoria de vida no interior de Mato Grosso do Sul.

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