Em Caracol e Porto Murtinho, manifestações de apoio ao candidato vêm acompanhadas de relatos sobre dificuldades enfrentadas no campo; assistência técnica, crédito, regularização, agroindustrialização e geração de renda estão entre as propostas defendidas por Carlos
A cada nova cidade percorrida por Mato Grosso do Sul, o candidato a deputado federal Carlos Bernardo tem encontrado manifestações de apoio que vêm acompanhadas de algo além do pedido de voto: relatos sobre os problemas enfrentados por quem vive e produz no interior. De Caracol a Porto Murtinho, as conversas mostram que realidades diferentes acabam chegando a uma preocupação comum — produzir está difícil, e o poder público precisa criar condições para que trabalho e produção se transformem efetivamente em renda.
Foi assim em Caracol. Foi assim também em Porto Murtinho. De um lado, o pequeno produtor que tira da própria propriedade o sustento da família e encontra dificuldade para se adequar às exigências, agregar valor e comercializar aquilo que produz. De outro, o pecuarista que convive com custos, necessidade de investimento e cobra representantes que conheçam a realidade de quem está no campo.
Realidades de escalas diferentes que chegam ao mesmo ponto: produzir sozinho não basta. É preciso assistência técnica, crédito acessível, infraestrutura, segurança para investir e políticas públicas capazes de abrir mercado e gerar renda.
Em Caracol, quem traduziu essa realidade foi o pequeno produtor rural Wanderley Gutierres. “O nosso sustento sai da chácara. O nosso sustento sai do campo”, resumiu.
A frase sintetiza uma preocupação que Wanderley levou diretamente a Carlos Bernardo. Para ele, o pequeno produtor precisa receber mais apoio para conseguir trabalhar dentro das regras e, ao mesmo tempo, manter economicamente viável aquilo que produz.
“Nós, pequenos produtores rurais, precisamos de uma assistência técnica com mais qualidade e de uma defesa maior por parte do governo e dos deputados diante das exigências e cobranças que enfrentamos”, afirmou.
Wanderley cita como exemplos as dificuldades relacionadas à produção de leite e à carneada. Na avaliação dele, a fiscalização sanitária acaba sendo especialmente pesada para quem produz em pequena escala e nem sempre dispõe de estrutura ou orientação suficientes para se adequar.
A história dele converge com as propostas apresentadas por Carlos Bernardo para a agricultura familiar. O candidato defende assistência técnica permanente, seguro rural e financiamento adequado, com o apoio chegando efetivamente à propriedade. A proposta parte do princípio de que crédito sem orientação pode aumentar o endividamento, enquanto assistência técnica associada ao financiamento pode elevar produtividade e renda.
Carlos defende que a política para o pequeno produtor precisa ir além do financiamento, como por exemplo, estimular cooperativas e pequenas agroindústrias, permitindo que leite, frutas, mandioca, mel e outros produtos sejam beneficiados e comercializados com certificação sanitária e maior valor agregado.
A ideia é atacar justamente o problema relatado por Wanderley: criar um caminho para que cumprir as exigências sanitárias não signifique inviabilizar economicamente o pequeno produtor.
“Não podemos colocar o pequeno produtor diante de uma escolha entre trabalhar na informalidade ou simplesmente parar de produzir. A fiscalização sanitária é necessária, porque protege quem produz e quem consome. O que falta muitas vezes é o poder público chegar antes da multa, com assistência técnica, orientação, financiamento, estrutura para regularização e mercado”, frisou.
Pecuarista também cobra melhorias no campo
Muda o tamanho da propriedade, mas não muda a sensação de que quem produz precisa ser mais ouvido. O pecuarista de Porto Murtinho, Lourenço Gonzalez foi direto ao explicar por que decidiu manifestar apoio a Carlos Bernardo.
“A gente precisa de uma pessoa que veja a nossa situação, a nossa realidade. São poucas as pessoas que enxergam e vêm se oferecer para fazer alguma coisa por nós”, afirmou
A fala de Lourenço reforça outro aspecto que Carlos vem defendendo ao percorrer os municípios: a política para o campo não pode ser construída apenas a partir dos gabinetes.
“Quando você conversa com um pequeno produtor em Caracol e depois senta com um pecuarista em Porto Murtinho, percebe que existem diferenças de escala, mas existe uma preocupação comum: as pessoas querem trabalhar, produzir e ter resultado. O poder público precisa parar de enxergar quem produz apenas na hora de cobrar obrigação. Precisa estar presente para orientar, financiar, abrir mercado, melhorar a infraestrutura e criar ambiente para quem trabalha gerar riqueza.”
Essa visão também está ligada à proposta de industrialização defendida por Carlos. O candidato sustenta que Mato Grosso do Sul precisa deixar de ser apenas produtor e exportador de matérias-primas e ampliar o processamento dentro do próprio Estado. Sua proposta prevê incentivos, infraestrutura e desburocratização para que produtos como carne, leite, soja e milho sejam transformados aqui, gerando emprego, tecnologia, renda e arrecadação.
Em Porto Murtinho, a proposta ganha ainda mais peso com a consolidação da Rota Bioceânica. Para Carlos, a nova ligação internacional não pode servir apenas para fazer a produção cruzar o Estado mais rapidamente. A proposta é aproveitar o corredor para atrair indústria, comércio, serviços, turismo e novos investimentos para Porto Murtinho, a fronteira e outras regiões de Mato Grosso do Sul.
Servidor público aposentado e ex-vereador por seis mandatos, Ailton Sanches concorda e chama atenção para uma dificuldade comum aos municípios pequenos: a falta de estrutura. “Não basta existir uma demanda ou até mesmo uma possibilidade de recurso. É necessário ter projeto, documentação e articulação para fazer o investimento sair do papel”, afirmou.
A fala vem ao encontro de uma necessidade particularmente importante nos municípios menores, onde prefeituras e entidades nem sempre possuem equipes técnicas suficientes para acompanhar editais, preparar projetos complexos e percorrer toda a burocracia necessária para acessar dinheiro federal.
A presidente da Câmara Municipal de Porto Murtinho, Sirley Pacheco resumiu durante o encontro o que espera dessa representação. “A gente precisa de pessoas que, pelo menos, escutem a gente. Quem está no município conhece os problemas de perto. A gente sabe onde aperta, sabe o que a população pede e também sabe quantas vezes uma boa ideia não avança porque falta projeto, articulação ou alguém que abra a porta em Brasília. É por isso que precisamos de representantes que estejam dispostos a ouvir e, principalmente, transformar aquilo que ouviram em resultado para Porto Murtinho.”
Para Carlos, é justamente essa relação entre escuta e resultado que deve orientar um mandato. Para concluir, ele afirmou que produzir ainda é uma das maiores forças de Mato Grosso do Sul. O desafio, agora, é garantir que quem produz consiga viver dessa força.



