16.9 C
Dourados
quinta-feira, 20 de agosto de 2026
- Publicidade-spot_img

UFMS testa biodiesel de soja, sebo e algodão para avaliar segurança do combustível

- Publicidade -

Estudo avalia misturas de B10 a B30 e analisa efeitos da matéria-prima e do armazenamento sobre a qualidade do combustível

Uma pesquisa desenvolvida em Mato Grosso do Sul está avaliando como diferentes concentrações e tipos de biodiesel podem interferir na qualidade e na estabilidade do diesel utilizado no país. O estudo analisa misturas de B10 a B30 produzidas a partir de matérias-primas como soja, sebo bovino e algodão, com o objetivo de identificar condições mais seguras para o uso e armazenamento do combustível.

O trabalho é desenvolvido por Fabiana Pereira de Sousa, em estágio pós-doutoral no Instituto de Química da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). O projeto conta com financiamento da Fundect, bolsa de pesquisa do CNPq e tem a universidade como instituição executora.

A pesquisa ocorre em um momento de ampliação da participação do biodiesel no diesel comercializado no Brasil. Atualmente, a mistura utilizada no país é a B15, composta por 15% de biodiesel e 85% de diesel mineral. O governo federal também estabeleceu testes para avaliar concentrações maiores, inicialmente até B20 e, posteriormente, até B25.

Segundo a pesquisadora, o aumento da concentração de biodiesel exige atenção a possíveis problemas relacionados à formação de resíduos e ao entupimento de filtros. O objetivo do estudo, porém, não é impedir a expansão do biocombustível, mas gerar informações científicas para que esse processo ocorra com segurança e preserve o desempenho e a durabilidade dos motores.

Água e armazenamento entram no foco da pesquisa

Entre os pontos analisados estão as características do biodiesel e seu comportamento durante o transporte e o armazenamento. Por apresentar maior facilidade para absorver água, o biocombustível pode sofrer alterações quando fica exposto à umidade.

A presença de água pode favorecer o crescimento de microrganismos, como bactérias e fungos, levando à formação de biofilme. O processo também pode acelerar a degradação do combustível, provocar corrosão e contribuir para o surgimento de borras, sedimentos e outros resíduos.

Esses materiais podem atingir filtros, tubulações e sistemas de injeção, reduzindo o desempenho dos veículos e, em determinadas situações, contribuindo para danos aos motores.

Soja, algodão e sebo bovino são avaliados

Além da concentração de biodiesel, a pesquisa investiga a influência da matéria-prima utilizada na produção do combustível. Entre as fontes analisadas estão óleos de soja e algodão e o sebo bovino.

O estudo avalia propriedades físico-químicas, o envelhecimento dos combustíveis e a resistência à oxidação de misturas que contêm entre 10% e 30% de biodiesel. Também são acompanhadas as alterações ocorridas durante o armazenamento, buscando identificar os fatores que mais influenciam a degradação e a formação de resíduos.

A expectativa é que os resultados ajudem a estabelecer critérios de qualidade e indicar por quanto tempo e em quais condições as misturas podem ser armazenadas e utilizadas sem aumentar significativamente os riscos de entupimento, corrosão, perda de desempenho ou danos aos motores.

Máquinas agrícolas exigem atenção em MS

Em Mato Grosso do Sul, os resultados podem ter importância direta para o setor agropecuário, devido ao uso intenso de máquinas movidas a diesel. Um dos pontos de atenção são os equipamentos que permanecem parados durante meses após períodos de colheita, muitas vezes com combustível armazenado no próprio tanque.

Nesse período, o contato com a umidade pode provocar alterações na qualidade da mistura e aumentar a possibilidade de formação de borras e sedimentos. A pesquisa busca identificar condições mais seguras de armazenamento e utilização, além de contribuir para a redução de custos de manutenção e do tempo de máquinas paradas.

Produção de biodiesel cresce 32,4% no Estado

O estudo acompanha também o avanço da produção de biodiesel em Mato Grosso do Sul. Segundo dados do Painel Dinâmico da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o Estado produziu 31,159 milhões de litros no primeiro semestre de 2026, alta de 32,4% em relação aos 23,536 milhões de litros registrados no mesmo período de 2025.

O crescimento representa 7,623 milhões de litros adicionais em um ano. Com esse volume, Mato Grosso do Sul ocupou a sétima posição entre os estados produtores no primeiro semestre e respondeu por aproximadamente 3,9% da produção brasileira, que alcançou 808,591 milhões de litros no período.

Resultados podem contribuir para futuras normas

Além dos impactos para produtores e consumidores, a pesquisa poderá fornecer subsídios para futuras discussões sobre normas técnicas relacionadas à qualidade, ao armazenamento e ao uso de misturas com percentuais maiores de biodiesel.

As análises ainda estão em andamento e os primeiros resultados devem ser divulgados nos próximos meses. Segundo a pesquisadora, os trabalhos realizados até agora já permitem observar como o tipo de biodiesel, sua concentração e o período de armazenamento podem interferir na qualidade do combustível.

A expectativa é que o estudo ajude a estabelecer critérios de qualidade, melhores condições de armazenamento e limites seguros para o aumento do teor de biodiesel nas misturas utilizadas em motores diesel.

Veja também

- Publicidade -

Últimas Notícias

- Publicidade -
- Publicidade -

Últimas Notícias

- Publicidade-