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quarta-feira, 19 de agosto de 2026
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Milho ganha força no mercado com redução de estoques nos EUA e menor safra em MS

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Cenário reforça a importância de acompanhar preços, armazenagem, demanda industrial e condições logísticas antes da comercialização

O mercado internacional de milho ganhou um novo fator de sustentação com a divulgação do relatório WASDE de agosto, do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O documento, divulgado em 12 de agosto, revisou para baixo a produtividade e os estoques norte-americanos de milho na safra 2026/27, cenário que pode contribuir para dar maior sustentação às cotações.

A produtividade estimada nos Estados Unidos caiu de 183 para 180,7 sacas por acre entre julho e agosto. Ao mesmo tempo, a previsão de exportações aumentou de 3,2 bilhões para 3,275 bilhões de bushels, enquanto os estoques finais foram reduzidos de 1,790 bilhão para 1,653 bilhão de bushels. O preço médio recebido pelos produtores também foi revisado de US$ 4,40 para US$ 4,50 por bushel.

No mercado global, o estoque final projetado para a safra 2026/27 recuou de 275,26 milhões para 274,66 milhões de toneladas. Para o Brasil, o USDA reduziu a estimativa de estoques finais de milho de 11,10 milhões para 10,10 milhões de toneladas.

Oferta menor em Mato Grosso do Sul

O cenário internacional ocorre em um momento de menor oferta esperada em Mato Grosso do Sul. Segundo dados da Aprosoja/MS e do Projeto SIGA-MS, a segunda safra de milho 2025/26 ocupa aproximadamente 2,206 milhões de hectares, crescimento de 3% em relação ao ciclo anterior.

Apesar do aumento da área plantada, a produtividade média estimada é de 84,2 sacas por hectare, queda de 22,4%. Com isso, a produção projetada chega a 11,139 milhões de toneladas, redução de 20,1% em relação à safra anterior.

O ritmo da colheita também está abaixo do registrado no mesmo período de 2025. No levantamento realizado em 11 de agosto, o SIGA-MS apontava avanço de metade da área monitorada, 6,4 pontos percentuais abaixo do ritmo observado no ano passado.

Chuvas irregulares, ventos fortes e ocorrências pontuais de granizo estão entre os fatores que exigem atenção durante a reta final da colheita.

Para o analista de Economia da Aprosoja/MS, Raphael Gimenes, a combinação entre a menor oferta estadual e o cenário internacional cria um ambiente de maior sustentação para o mercado.

“O que temos neste momento é uma combinação de fatores que tende a dar sustentação ao mercado do milho. De um lado, o USDA reduziu os estoques projetados nos Estados Unidos e no mercado mundial. Do outro, Mato Grosso do Sul deve colher uma safra menor, enquanto a colheita ainda está em andamento.”

Segundo o analista, o cenário não representa necessariamente uma garantia de alta dos preços, mas reforça a necessidade de atenção do produtor no momento da comercialização.

Demanda interna também pesa

Outro fator importante para o mercado sul-mato-grossense é o crescimento da demanda interna. A expansão da indústria de etanol de milho aumenta a disputa pela matéria-prima com o mercado externo.

O estado também enfrenta um déficit estrutural de armazenagem, o que torna o planejamento da comercialização ainda mais relevante durante o período de colheita.

Nesse cenário, a decisão de venda deve considerar não apenas as cotações internacionais, mas também o ritmo da colheita, a disponibilidade regional de armazenagem, a demanda das indústrias e as condições logísticas.

Soja mantém cenário mais equilibrado

Enquanto o milho apresenta fatores de maior sustentação, a soja segue em um cenário considerado mais equilibrado.

No relatório de agosto, o USDA manteve em 186 milhões de toneladas a estimativa para a produção brasileira de soja na safra 2026/27 e em 118 milhões de toneladas a previsão de exportações.

Nos Estados Unidos, a produção foi revisada de 4,475 bilhões para 4,519 bilhões de bushels. O aumento do esmagamento, porém, contribui para absorver parte dessa oferta adicional.

Em Mato Grosso do Sul, a safra 2025/26 de soja foi encerrada com produção de 16,744 milhões de toneladas, alta de 19,1% em relação ao ciclo anterior. A produtividade média alcançou 60,40 sacas por hectare, crescimento de 16,6%.

De acordo com a análise da Aprosoja/MS, na ausência de um choque de oferta no mercado internacional, brasileiro ou estadual, o comportamento dos preços da soja no curto prazo deve continuar condicionado principalmente ao câmbio, aos custos de frete e ao ritmo das compras externas, especialmente da China.

O próximo relatório WASDE do USDA está previsto para 11 de setembro. Em Mato Grosso do Sul, as próximas atualizações do Projeto SIGA-MS devem mostrar o avanço da colheita e contribuir para uma avaliação mais precisa da produção estadual de milho.

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