Maior procura internacional pelo farelo de soja, compras da China, incertezas climáticas nos Estados Unidos e tensões geopolíticas impulsionam as cotações da oleaginosa e sustentam o mercado brasileiro
O mercado mundial da soja iniciou a semana em forte alta, impulsionado por uma combinação de fatores que reforçam o cenário altista para a oleaginosa. A demanda aquecida por farelo de soja, a retomada das compras chinesas, as preocupações com o clima nas principais regiões produtoras dos Estados Unidos e o aumento das tensões geopolíticas elevaram as cotações na Bolsa de Chicago (CBOT) e sustentaram os preços no mercado brasileiro.
Na manhã desta segunda-feira (20), os contratos futuros romperam a barreira dos US$ 12 por bushel, atingindo os maiores níveis das últimas nove semanas. Os vencimentos mais negociados avançaram entre 13 e 14 pontos, com o contrato agosto sendo negociado a US$ 12,18/bushel, novembro a US$ 12,17 e janeiro a US$ 12,30 por bushel.
O movimento também refletiu sobre os preços internos da soja no Brasil, que seguem encontrando sustentação principalmente pela valorização do farelo e pela maior competitividade das exportações.
Demanda por farelo fortalece mercado brasileiro
Levantamento do Cepea mostra que o aumento da demanda global pelo farelo de soja vem intensificando as negociações tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.
No mercado brasileiro, a disputa entre compradores domésticos e importadores elevou os prêmios de exportação e os preços FOB, fortalecendo também as cotações da soja em grão.
Segundo os pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), embora a ampla oferta mundial limite altas mais expressivas da oleaginosa, o desempenho do farelo tem sido suficiente para manter o mercado firme.
O cenário é sustentado pela expectativa de crescimento contínuo da demanda internacional pelo derivado, especialmente para os setores de alimentação animal e produção de proteínas.
Brasil amplia participação nas exportações de farelo
Embora a Argentina permaneça como principal exportadora mundial de derivados de soja, os dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mostram crescimento consistente da participação brasileira e norte-americana nas exportações globais de farelo.
Esse avanço amplia as oportunidades para a indústria brasileira de processamento, agregando valor à cadeia da soja e reduzindo a dependência exclusiva das exportações do grão.
A valorização do farelo também contribui para melhorar as margens das indústrias esmagadoras e oferece suporte adicional aos preços pagos aos produtores.
China volta às compras e reforça movimento de alta
Outro fator que impulsiona o mercado internacional é a retomada das aquisições chinesas de soja norte-americana.
Nos últimos dias, compradores chineses voltaram a fechar grandes volumes da oleaginosa dos Estados Unidos, estimulando um novo fluxo comprador nos contratos futuros da Bolsa de Chicago.
O movimento reforça a percepção de demanda aquecida em um momento em que os investidores acompanham atentamente o desenvolvimento da safra norte-americana.
Clima nos Estados Unidos segue no radar
As condições climáticas no Corn Belt continuam sendo um dos principais fatores de atenção do mercado.
Apesar de parte das lavouras apresentar bom desenvolvimento, previsões indicando calor e irregularidade das chuvas mantêm os investidores cautelosos quanto ao potencial produtivo da safra.
Além disso, preocupações climáticas também atingem outras importantes regiões produtoras, especialmente na Europa, contribuindo para o avanço das cotações de milho e trigo, movimento que acaba oferecendo suporte adicional ao complexo soja.
Geopolítica aumenta volatilidade das commodities
As tensões internacionais também voltaram a influenciar o comportamento dos mercados agrícolas.
A intensificação do conflito entre Estados Unidos e Irã, com novos ataques envolvendo instalações militares e energéticas na região do Golfo, aumentou as preocupações sobre o abastecimento global de petróleo, principalmente diante das restrições ao tráfego marítimo no Estreito de Ormuz.
Ao mesmo tempo, a continuidade da guerra entre Rússia e Ucrânia mantém sob pressão a logística de exportação de grãos pelo Mar Negro. Ataques à infraestrutura portuária e dificuldades no transporte têm levado importadores internacionais a buscar fornecedores alternativos para trigo e milho, aumentando a volatilidade das commodities agrícolas.
Mercado acompanha próximos fatores de sustentação
Para os próximos dias, os investidores permanecem atentos à evolução do clima nas lavouras norte-americanas, ao ritmo das exportações dos Estados Unidos, ao comportamento da demanda chinesa e ao cenário geopolítico internacional.
No Brasil, a valorização do farelo de soja, o fortalecimento dos prêmios de exportação e o avanço das vendas externas seguem oferecendo suporte aos preços internos, mesmo diante da ampla oferta global da oleaginosa.
Caso a demanda internacional permaneça aquecida e persistam as incertezas climáticas e geopolíticas, o mercado da soja poderá manter viés positivo nas próximas semanas, sustentando as cotações tanto em Chicago quanto nas principais praças brasileiras.
Fonte: Portal do Agronegócio

