Levantamento mostra ainda que 83% querem área entre as três prioridades dos próximos governadores; segurança, saúde mental, agro e meio ambiente também pressionam agenda dos eleitos
A educação entrou de vez na conta do eleitor em 2026. Pesquisa do Instituto Ideia mostra que 71% dos brasileiros consideram as ações dos governos na área na hora de escolher em quem votar, enquanto 83% defendem que o tema esteja entre as três principais prioridades dos governadores nos próximos quatro anos.
Os números colocam alfabetização, qualidade do ensino e valorização dos profissionais entre os assuntos que devem acompanhar quem sair das urnas em outubro.
Segurança pública, saúde mental, agronegócio e meio ambiente também aparecem entre as áreas que exigirão decisões dos futuros integrantes dos Executivos e Legislativos.
Para Talita Nascimento, diretora de relações governamentais do Todos pela Educação, os dados mostram que a cobrança por avanços no ensino ultrapassa entidades e especialistas e chega diretamente às famílias que dependem da escola pública.
Além das demandas mais imediatas, os próximos governos terão de lidar com políticas cujos resultados dependem de continuidade. Entre elas está o novo PNE (Plano Nacional de Educação), aprovado pelo Congresso e sancionado neste ano, com metas para aprendizagem e formação de professores.
O Legislativo também terá peso nesse processo, principalmente na aprovação de leis e na definição do dinheiro destinado à educação nos próximos Orçamentos.
Segurança exige integração
Na segurança pública, um dos principais desafios apontados é ampliar a atuação conjunta entre União e estados, principalmente no combate às organizações criminosas e no controle de fronteiras e portos.
O consultor legislativo da Câmara e ex-policial federal Lucas de Oliveira Jaques avalia que a legislação já permite maior integração das forças de segurança, mas que mudanças em discussão no Congresso podem ampliar essa coordenação.
O debate passa ainda pela divisão de responsabilidades. Ampliação de vagas em presídios e aumento dos efetivos policiais dependem principalmente dos estados, enquanto União e Congresso têm atribuições em áreas como combate ao crime organizado, mudanças na legislação e definição de recursos.
Saúde mental busca espaço
A saúde mental aparece como outro desafio para os próximos governos. Bruno Ziller, gerente-executivo do Instituto Cactus, avalia que o assunto ainda recebe pouco espaço nas campanhas, apesar da necessidade de políticas públicas permanentes.
Entre as discussões estão o fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial, prevenção e ampliação do acesso da população aos serviços.
Agro cobra crédito e seguro
No agronegócio, crédito e seguro rural estão entre as principais demandas apresentadas para os próximos anos. O setor representa quase um quarto do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro e aparece nos programas de governo apresentados na disputa presidencial.
O consultor legislativo do Senado Luiz Rodrigues destaca especialmente a necessidade de crédito para a agricultura familiar e de maior suporte ao seguro rural.
O financiamento ganha importância diante das oscilações de preços de produtos como soja e milho e da necessidade de recursos para custeio e investimentos nas propriedades.
Meio ambiente e transição energética completam a lista de assuntos que devem chegar às mãos dos eleitos em outubro, com decisões envolvendo cumprimento de metas ambientais, legislação e políticas que terão efeitos para além do próximo mandato.

