Cotações avançam gradualmente no Rio Grande do Sul, impulsionadas por menor pressão de venda e exportações, mas valores ainda não cobrem totalmente os custos de produção
O mercado brasileiro de arroz segue em um processo gradual de ajuste entre oferta e demanda, com sinais de recuperação nas cotações após um período marcado por forte pressão sobre os preços no pós-colheita. Apesar da melhora recente, o setor ainda enfrenta desafios para recuperar a rentabilidade dos produtores.
Segundo análise da Safras & Mercado, o principal fator de restrição continua sendo o nível das cotações internas em relação aos custos de produção. “O principal fator limitante continua sendo o baixo nível das cotações frente aos custos de produção”, destaca o analista e consultor Evandro Oliveira.
Preços do arroz apresentam reação gradual no mercado gaúcho
Mesmo com as dificuldades, o mercado físico começa a consolidar uma trajetória de recuperação. Na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, principal região produtora do país, os negócios envolvendo arroz em casca estão ocorrendo entre R$ 57 e R$ 60 por saca de 50 quilos.
Para lotes de arroz nobre, os valores permanecem próximos de R$ 60 por saca, indicando maior firmeza nas referências de mercado.
De acordo com Oliveira, o movimento reflete uma redução da pressão vendedora por parte dos produtores e agentes da cadeia, embora os preços ainda estejam abaixo do necessário para recompor plenamente as margens da atividade.
Exportações seguem como principal suporte ao mercado
O comércio internacional continua sendo um dos principais fatores de sustentação para o mercado brasileiro de arroz. As exportações têm desempenhado papel estratégico na retirada dos excedentes domésticos e ajudam a reduzir a pressão sobre os estoques internos.
Segundo a Safras & Mercado, os embarques externos devem continuar determinando o ritmo de recuperação dos preços ao longo do segundo semestre.
Entretanto, a valorização recente do real e o dólar próximo da faixa de R$ 5,10 reduzem parte da competitividade brasileira no mercado internacional, tornando os compradores mais cautelosos na formação de novos contratos.
Exportações ainda precisam avançar para acelerar ajuste da oferta
Apesar da melhora nas cotações, especialistas avaliam que os volumes exportados ainda estão abaixo do necessário para promover um equilíbrio mais consistente entre oferta e demanda.
A estimativa é de que o mercado precise absorver pelo menos 2 milhões de toneladas adicionais por meio das exportações para acelerar o processo de ajuste dos estoques domésticos.
“O desempenho das exportações continuará sendo o principal determinante da velocidade de reequilíbrio do mercado brasileiro durante o segundo semestre”, reforça Evandro Oliveira.
Preço do arroz sobe na semana, mas acumula queda anual
Dados recentes mostram uma recuperação moderada nos preços do arroz no Rio Grande do Sul.
A média da saca de 50 quilos de arroz em casca (58/62% de grãos inteiros, pagamento à vista) encerrou a quinta-feira (10) negociada a R$ 61,09, avanço de 0,73% em relação à semana anterior.
Na comparação com o mesmo período do mês passado, a valorização chega a 3,54%. Entretanto, frente ao mesmo período de 2025, o mercado ainda registra desvalorização acumulada de 8,69%.
Perspectivas para o mercado de arroz
A expectativa para os próximos meses é de continuidade da recuperação gradual dos preços, condicionada principalmente ao desempenho das exportações, ao comportamento do câmbio e ao ritmo de comercialização dos estoques remanescentes.
Com a redução da oferta disponível e maior equilíbrio entre compradores e vendedores, o mercado tende a buscar novos patamares de preços, mas a recuperação da rentabilidade do produtor ainda deve ocorrer de forma lenta.
Fonte: Portal do Agronegócio

