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terça-feira, 27 de outubro de 2026
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Bahia lidera rebanhos de caprinos e ovinos no Brasil; Nordeste amplia concentração

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País alcança 22,31 milhões de ovinos e 13,52 milhões de caprinos em 2025; expansão abre oportunidades comerciais, mas exige organização da produção, genética e planejamento alimentar

A Bahia mantém os maiores rebanhos de caprinos e ovinos do Brasil, em um cenário de crescimento nacional e maior concentração da atividade no Nordeste. Em 2025, o país alcançou 22,31 milhões de ovinos, alta de 1,55%, e 13,52 milhões de caprinos, avanço de 1,2% sobre o ano anterior.

Os dados são da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM 2025), do IBGE, analisados pelo pesquisador Klinger Magalhães no Boletim nº 33 do Centro de Inteligência e Mercado de Caprinos e Ovinos (CIM).

O aumento corresponde à incorporação de 341.253 ovinos e 158.352 caprinos ao efetivo nacional. Apesar da expansão, a análise aponta dificuldades para garantir fornecimento contínuo, volume e padronização aos compradores.

Bahia e Pernambuco concentram os maiores rebanhos

A Bahia reúne 5,99 milhões de ovinos e 4,69 milhões de caprinos, liderando o ranking nacional das duas espécies. Pernambuco aparece em seguida, com 3,86 milhões de ovinos e 3,27 milhões de caprinos.

Na caprinocultura, o Piauí ocupa a terceira posição, com 2,09 milhões de animais. Juntos, os três estados concentram 74,4% do rebanho caprino brasileiro.

Entre os ovinos, o Rio Grande do Sul permanece como terceiro maior rebanho estadual, com 2,68 milhões de cabeças, mas registrou queda de 9,9% em 2025, mantendo a trajetória de retração pelo segundo ano consecutivo. O Piauí ocupa a quinta posição, com 1,89 milhão de animais.

Nordeste reúne 96,6% dos caprinos brasileiros

A concentração regional é mais acentuada na caprinocultura. O Nordeste abriga 13,07 milhões de caprinos, equivalentes a 96,6% do total nacional, e foi a única região a apresentar crescimento entre 2024 e 2025, de 1,4%.

As demais regiões registraram redução, com destaque para o Centro-Oeste, onde o efetivo caiu 10,5%. Sudeste e Sul mantêm cerca de 133 mil cabeças cada, aproximadamente 1% do rebanho brasileiro por região.

No Sudeste, a atividade está direcionada principalmente à produção de leite de cabra em Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.

Para Klinger, a concentração nordestina representa uma oportunidade de fornecimento de animais e material genético ao mercado nacional. Ao mesmo tempo, pode indicar perda de interesse econômico pela atividade em outras regiões.

Rebanho ovino cresce no Nordeste e recua no Sul

Na ovinocultura, o Nordeste passou a responder por 75,8% do efetivo brasileiro, com 16,9 milhões de cabeças, crescimento de 4,4% sobre 2024.

O Sul, segundo maior polo regional, registrou queda de 8,6%, ficando com 3,49 milhões de animais, ou 15,6% do total nacional.

O Centro-Oeste manteve estabilidade, com 763,6 mil ovinos. Norte e Sudeste tiveram retrações de 3,3% e 4,8%, respectivamente, encerrando o período com 648,5 mil e 508,5 mil cabeças.

Entre 2021 e 2025, o crescimento médio anual foi de 3,3% na caprinocultura e 2,1% na ovinocultura. Na comparação mais recente, porém, os ritmos se inverteram: os ovinos aceleraram a expansão, enquanto os caprinos cresceram mais lentamente.

Demanda formal estimula produtores de ovinos

Segundo Klinger, a atuação mais intensa de frigoríficos e abatedouros tem estimulado criadores a ampliar os rebanhos ovinos para atender ao mercado formal.

O boletim também identifica oportunidades em leites, queijos, iogurtes e carnes de caprinos e ovinos, além de demanda potencial por carne caprina em restaurantes de padrão elevado nas regiões Sul e Sudeste.

Na Paraíba e em Pernambuco, o pesquisador observa maior especialização na produção de leite e queijo de cabra. No Piauí, destaca experiências de organização de ovinocultores em cooperativas que fornecem animais a estabelecimentos de abate formal.

O aproveitamento dessas oportunidades depende de regularidade e padronização. A análise ressalta que ampliar o número de animais precisa ocorrer junto ao planejamento alimentar, à definição genética e à conexão com os compradores.

Melhoramento genético e gestão são desafios para expansão

Mesmo concentrando os maiores rebanhos, o Nordeste ainda necessita de programas de melhoramento genético para ampliar a especialização produtiva, avalia Klinger.

O pesquisador destaca que regiões com efetivos menores têm conseguido avançar em genética e produção. Para reduzir essa diferença, o boletim aponta a importância de capacitação técnica, tecnologias de manejo e fortalecimento de associações e cooperativas.

O acompanhamento de custos, ganhos de produtividade e lucratividade também integra esse processo. A organização comercial permite ajustar a produção às exigências de frigoríficos, abatedouros e outros compradores.

Risco climático reforça planejamento de água e alimento

A análise do CIM alerta para os possíveis impactos de um El Niño intenso entre 2026 e 2027 e recomenda preparação antecipada para restrições hídricas e alimentares.

Entre as medidas citadas por Klinger estão forrageiras resistentes à seca, produção de silagem, barragens subterrâneas e elaboração de orçamento forrageiro, que relaciona a disponibilidade de alimento às necessidades do rebanho.

O descarte orientado de animais menos produtivos ou com problemas de saúde, antes da estiagem, também é apontado como forma de adequar a demanda à capacidade da propriedade.

Além do clima, o estudo identifica pressão de custos com ração, medicamentos e combustíveis, bem como perdas por predadores e roubos de animais.

Casa Nova lidera ranking municipal de caprinos e ovinos

Casa Nova, na Bahia, possui os maiores rebanhos municipais das duas espécies: são 810,2 mil caprinos, alta de 3,9%, e 713,5 mil ovinos, crescimento de 5,5%.

Outros polos de destaque incluem Juazeiro, Curaçá e Remanso, na Bahia, e Floresta, Petrolina, Afrânio e Dormentes, em Pernambuco.

Em contraste, Sant’Ana do Livramento (RS) passou da segunda posição nacional em ovinos, em 2019, para a oitava em 2025, com 264,1 mil cabeças.

O levantamento também destaca o fortalecimento de municípios nordestinos nos quais a criação se conecta a feiras, exposições, turismo rural e gastronomia, ampliando a participação dos pequenos ruminantes na economia local.

Fonte: Portal do Agronegócio

Foto: Adilson Nóbrega

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