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terça-feira, 21 de julho de 2026
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Fertilizantes: queda da ureia muda estratégia de compra para a safrinha, enquanto fosfatados seguem pressionados

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Relatório da Consultoria Agro do Itaú BBA mostra que a redução dos preços dos nitrogenados abre oportunidades para produtores, mas custo elevado dos fosfatados e do enxofre mantém mercado cauteloso para a próxima safra

O mercado brasileiro de fertilizantes vive um momento de contrastes que já influencia as decisões de compra dos produtores para a safrinha e para o planejamento da safra de soja. Enquanto a queda das cotações internacionais da ureia melhora a relação de troca e cria oportunidades para aquisição de fertilizantes nitrogenados, os fosfatados continuam pressionados pela restrição da oferta global e pelo elevado custo do enxofre, uma das principais matérias-primas da indústria.

A avaliação faz parte do relatório Visão Agro, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, que aponta mudanças no comportamento do mercado diante das oscilações internacionais dos insumos agrícolas.

Importações de fertilizantes recuam no Brasil

Os números da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) refletem essa mudança de estratégia. Entre janeiro e maio, o Brasil importou 15 milhões de toneladas de fertilizantes, volume 1,5% inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior.

A redução foi impulsionada principalmente pela menor entrada de fertilizantes nitrogenados e fosfatados. Em contrapartida, as importações de potássicos cresceram, compensando parcialmente a retração observada nos demais nutrientes.

O cenário mostra que muitos produtores optaram por adiar parte das compras diante das incertezas sobre preços e custos de produção.

Queda da ureia melhora relação de troca

Entre os nitrogenados, a ureia voltou a apresentar maior competitividade no mercado internacional.

Após o avanço das negociações geopolíticas no Oriente Médio e o retorno da China ao mercado global, as cotações recuaram para níveis inferiores aos registrados antes do início do conflito na região.

Essa redução melhora a relação de troca para os produtores que ainda não haviam fechado contratos de compra.

Até maio, as importações brasileiras de ureia totalizaram 1,5 milhão de toneladas, representando queda de 27% em relação ao mesmo período de 2025. Apesar disso, a expectativa é de recuperação dos volumes ao longo do segundo semestre, quando tradicionalmente aumenta a demanda para a safrinha.

Fosfatados seguem com preços elevados

O cenário é bastante diferente para os fertilizantes fosfatados.

Segundo o levantamento, as importações de MAP (fosfato monoamônico) recuaram 28%, totalizando aproximadamente 1 milhão de toneladas.

Já o SSP (superfosfato simples) apresentou redução de 13%, com importações de cerca de 1,1 milhão de toneladas.

Outro destaque foi a forte queda nas compras de enxofre, que diminuíram 45%, alcançando aproximadamente 600 mil toneladas até maio.

O elevado preço dessa matéria-prima vem reduzindo a produção nacional de fertilizantes fosfatados e sustentando as cotações em níveis elevados.

Produtores avaliam reduzir adubação fosfatada

Com os preços ainda pressionados e poucas perspectivas de queda significativa no curto prazo, parte dos produtores pode optar por reduzir a aplicação de fósforo na próxima safra de soja.

Entretanto, o impacto tende a ser limitado, já que uma parcela importante dos fertilizantes foi adquirida antes da recente escalada dos preços internacionais.

A expectativa é que os agricultores acompanhem a evolução do mercado antes de definir completamente suas estratégias de adubação.

Mercado acompanha evolução dos preços

De acordo com Wharlhey Nunes, analista da Consultoria Agro do Itaú BBA, o comportamento do mercado ainda permite que produtores aguardem melhores oportunidades, principalmente no segmento dos nitrogenados.

Segundo o especialista, a redução das cotações da ureia melhorou significativamente a relação de troca para quem ainda não havia realizado as compras, favorecendo novas negociações para a safrinha.

Já no mercado de fosfatados, o ambiente permanece mais restritivo devido ao encarecimento do enxofre e à menor oferta global, fatores que reduzem as chances de uma queda expressiva nos preços no curto prazo.

Perspectiva para a safrinha

Apesar da comercialização mais lenta em diversas regiões produtoras, especialmente para os fertilizantes fosfatados, o Itaú BBA avalia que ainda não há indicação de restrições imediatas ao manejo das lavouras.

O mercado segue atento à evolução dos preços internacionais, ao comportamento da oferta global e às relações de troca, fatores que continuarão determinando o ritmo das compras de fertilizantes nos próximos meses e os custos de produção da agricultura brasileira.

Fonte: Portal do Agronegócio

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