Respeito ao calendário fortalece a sustentabilidade e a competitividade da soja em MS
Produtores rurais de Mato Grosso do Sul devem redobrar a atenção ao calendário oficial definido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) para a próxima safra de soja. A Portaria SDA/MAPA nº 1.579, publicada em 9 de abril de 2026, regulamenta o período de vazio sanitário e a janela de semeadura da cultura, medidas consideradas estratégicas para a sanidade das lavouras e a eficiência produtiva no Estado.
De acordo com a normativa, o vazio sanitário da soja deverá ser cumprido entre 15 de junho e 15 de setembro de 2026. Nesse intervalo, é proibida a presença de plantas vivas de soja no campo, independentemente do estágio de desenvolvimento. Já o plantio da safra 2026/2027 está autorizado no período de 16 de setembro a 31 de dezembro de 2026.
A adoção rigorosa dessas datas é apontada como essencial para o equilíbrio do sistema produtivo. O ordenamento do calendário agrícola contribui para reduzir a incidência de doenças, diminuir a necessidade de aplicações de fungicidas e otimizar os custos de produção, além de mitigar o risco de resistência de patógenos.
O vazio sanitário é uma das principais estratégias no combate à ferrugem asiática da soja, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi. Considerada a doença mais agressiva da cultura, ela pode provocar perdas expressivas, comprometendo severamente a produtividade. A eliminação de plantas hospedeiras durante o período determinado reduz a sobrevivência do patógeno e limita sua disseminação entre as áreas cultivadas.
Segundo o assessor técnico da Aprosoja/MS, Flávio Aguena, o cumprimento das medidas vai além da exigência legal e representa uma prática fundamental de manejo. “Respeitar o vazio sanitário e a janela de plantio é decisivo para diminuir a pressão de inóculo e aumentar a eficiência no controle da doença, fortalecendo a sustentabilidade da produção”, destaca.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil também chama atenção para a necessidade de monitoramento constante das lavouras. O alerta ganha relevância diante do aumento nos registros de ferrugem asiática no Estado, que saltaram de 12 ocorrências no ciclo anterior para 70 casos na safra 2025/2026.
A definição do vazio sanitário é feita em nível nacional pelo MAPA, garantindo padronização das regras fitossanitárias. Em Mato Grosso do Sul, a execução e fiscalização ficam a cargo da IAGRO, em parceria com o governo estadual, que também atua na orientação técnica aos produtores.
Os resultados dessas políticas se refletem no desempenho da cadeia produtiva. Na safra 2024/2025, o Estado registrou área cultivada de 4,525 milhões de hectares, produção estimada em 14,06 milhões de toneladas e produtividade média de 51,79 sacas por hectare.
Diante desse cenário, entidades do setor reforçam que o planejamento técnico e o cumprimento das normas fitossanitárias seguem como pilares para manter o avanço da produtividade e a competitividade da soja sul-mato-grossense. A safra 2026/2027, avaliam especialistas, começa com disciplina no campo e respeito às janelas estabelecidas.

