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quinta-feira, 26 de março de 2026
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Pesquisa aponta que transição sustentável no agro pode transformar empregos rurais em Mato Grosso

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De acordo com levantamento feito pela Agenda Pública, estado precisa modernizar instrumentos de desenvolvimento econômico, investir em qualificação da mão de obra e em sustentabilidade para garantir futuro do emprego rural

São Paulo, março de 2026 — Dados do estudo Empregos do Futuro, realizado pela Agenda Pública, indicam que Mato Grosso, maior polo da agropecuária extensiva no Brasil, precisa acelerar a modernização dos instrumentos públicos de desenvolvimento econômico e políticas de trabalho e renda, inovando a sua produção, além de ampliar políticas de rastreabilidade e reduzir emissões de poluentes. 

A pesquisa aponta que, embora a agropecuária extensiva siga como base do Produto Interno Bruto (PIB) estadual, o modelo produtivo enfrenta pressões crescentes por modernização, rastreabilidade e redução de emissões. Nesse cenário, a forma como o estado conduzir essa transição será determinante para o futuro do trabalho e geração de oportunidades de emprego rural.

“A transição no agro já está reconfigurando o trabalho no campo e exigirá um novo perfil de profissional, mais qualificado e preparado para lidar com tecnologias e práticas sustentáveis. Sem investimento em formação e requalificação, há risco de ampliar desigualdades e perder oportunidades de desenvolvimento”, explica Sergio Andrade, diretor executivo da Agenda Pública.

Entre 2018 e 2024, cinco municípios analisados pelo estudo, sendo eles: Diamantino, Sorriso, Campo Novo do Parecis, Nova Ubiratã e Sapezal —, concentraram mais de 22 mil vínculos formais na agropecuária extensiva. O dado evidencia a centralidade do setor para a economia local, mas também revela diferentes graus de dependência e vulnerabilidade entre os territórios.

Os municípios de Nova Ubiratã e Sapezal, por exemplo, apresentam os maiores níveis de dependência: mais da metade dos empregos formais e da massa salarial está diretamente ligada ao agro. Já Sorriso, embora concentre um grande volume absoluto de empregos agrícolas, tem menor dependência relativa, indicando uma base produtiva mais diversificada e, portanto, maior capacidade de absorver mudanças no modelo produtivo.

Segundo o estudo, quanto maior a dependência setorial, maior a exposição a choques externos, como oscilações de preços internacionais, eventos climáticos extremos e novas exigências ambientais impostas por mercados compradores. O relatório aponta ainda que o crescimento contínuo da produção agrícola vem acompanhado de pressões cada vez mais rigorosas por rastreabilidade, eficiência ambiental e sustentabilidade, especialmente em cadeias voltadas à exportação. Sem adaptação, diversificação econômica, adensamento de cadeias de valor, o estado corre o risco de perder competitividade e acesso a mercados estratégicos.

Um dos principais achados da pesquisa é que a transição no agro mato-grossense não significa dar menor peso à substituir a atividade agrícola, mas transformá-la, desenvolvendo seu potencial por meio de políticas públicas. O estudo destaca o potencial de práticas como agricultura de precisão, sistemas integrados lavoura–pecuária–floresta (ILPF), bioinsumos, biotecnologia agrícola, energias renováveis no campo e processamento sustentável de alimentos. Essas frentes, no entanto, exigem um perfil de trabalhador mais qualificado, preparado para operar tecnologias digitais e aplicar práticas de manejo sustentável.

Em números, apenas com sistemas integrados lavoura–pecuária–floresta (ILPF), a estimativa é de 2 milhões de hectares implementados até 2030.

Jovens como força motriz do agronegócio

Nesse contexto, a juventude rural surge como um ativo estratégico. Os municípios analisados concentram uma população expressiva de jovens entre 15 e 29 anos, apontada como elo central de entre políticas públicas para inovação tecnológica, e transformação produtiva e sucessão rural. O estudo alerta que, sem programas estruturados de qualificação e criação de empregos verdes, essa base demográfica pode se tornar um fator de exclusão social — em vez de motor de desenvolvimento.

O relatório também mapeia políticas já em curso que podem sustentar essa transição. Entre elas estão o Programa Mato Grosso Sustentável, o Plano Estadual de Agricultura Sustentável, o MT Mais Verde e o Plano Estadual de Educação Profissional Rural, além de iniciativas federais como o Plano de Transformação Ecológica e a Nova Indústria Brasil. A pesquisa destaca, contudo, que o sucesso dessas políticas depende de articulação territorial e da capacidade de mobilizar o capital humano local.

A conclusão do estudo é direta: Mato Grosso reúne condições únicas para liderar uma transição sustentável no agro brasileiro, mas o caminho não é automático. Sem planejamento, qualificação e coordenação entre setor público e privado, a adaptação às novas exigências ambientais pode gerar perdas de competitividade e postos de trabalho. Com estratégia, porém, o estado pode transformar a transição verde em uma oportunidade concreta de geração de empregos, inovação e desenvolvimento no campo.

Sobre a Agenda Pública 

A Agenda Públicaé uma organização da sociedade civil brasileira, criada em 2009, que atua para fortalecer a gestão pública e promover o desenvolvimento sustentável no Brasil. Seu trabalho é voltado à qualificação de governos, empresas e organizações, combinando conhecimento técnico, metodologias inovadoras e articulação entre diferentes setores da sociedade para enfrentar desafios públicos complexos. A organização busca contribuir para políticas públicas mais eficientes, transparentes e centradas nas pessoas, com foco no desenvolvimento local e regional sustentável e resiliente. Suas ações se estruturam principalmente em três frentes: a inovação e o aprimoramento dos serviços públicos, o fortalecimento de territórios por meio de parcerias e projetos de desenvolvimento socioeconômico, e o engajamento em iniciativas de inovação aberta e articulação intersetorial. Informações:  https://agendapublica.org.br/ 

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