Consumo do cereal para etanol deve crescer 17%, enquanto exportações podem alcançar 41 milhões de toneladas; estoques elevados ainda ameaçam preços no fim de 2026
A produção brasileira de milho pode atingir o recorde de 146,5 milhões de toneladas na safra 2026/27, segundo a primeira estimativa da Hedgepoint Global Markets. O volume representa crescimento de 3,1% sobre as 142,1 milhões de toneladas estimadas pela empresa para a temporada 2025/26.
A perspectiva combina expansão da área plantada e recuperação da produtividade. Do lado da demanda, o avanço da indústria de etanol de milho e uma possível retomada das exportações devem ampliar o consumo do cereal.
O cenário, porém, ainda depende do clima e do desempenho comercial. O estudo de Luiz Fernando Roque, da área de Inteligência de Mercado – Grãos e Oleaginosas da Hedgepoint, também aponta que os estoques elevados podem pressionar as cotações brasileiras nos últimos meses de 2026.
Área plantada e produtividade sustentam projeção de safra recorde
A Hedgepoint estima que a área brasileira de milho passe de 22,343 milhões para 22,712 milhões de hectares, crescimento de 1,7% entre as temporadas 2025/26 e 2026/27.
A produtividade média deve avançar 1,4%, de 6.361 para 6.452 quilos por hectare. A expectativa considera, especialmente, uma recuperação do rendimento da segunda safra em Goiás e Minas Gerais.
Por se tratar de uma estimativa inicial, a confirmação do potencial produtivo dependerá das condições meteorológicas ao longo do ciclo.
Etanol de milho deve consumir 34 milhões de toneladas
A indústria de biocombustíveis aparece como um dos principais vetores de crescimento da demanda doméstica. O consumo de milho para fabricação de etanol deve passar de 29 milhões de toneladas em 2025/26 para 34 milhões em 2026/27, avanço de aproximadamente 17%.
A entrada de novas usinas em operação nos próximos meses e ao longo de 2027 sustenta essa projeção.
O estudo também considera favorável à expansão do setor o cenário de mistura de etanol anidro à gasolina. Na análise apresentada, a Hedgepoint trabalha com a continuidade do E32, inicialmente previsto de forma provisória por 180 dias a partir de 1º de agosto, e avalia a possibilidade de adoção definitiva no primeiro semestre de 2027.
Exportações de milho podem crescer para 41 milhões de toneladas
Para a temporada 2026/27, a consultoria projeta exportações brasileiras de 41 milhões de toneladas, cerca de 8% acima das 38 milhões estimadas para 2025/26.
A previsão da temporada 2025/26 foi recentemente reduzida de 41 milhões para 38 milhões de toneladas, diante do ritmo mais lento dos embarques. Segundo a Hedgepoint, a concorrência com a Argentina, que colheu uma safra recorde e oferece preços mais competitivos, limita o desempenho brasileiro.
Outro fator apontado pelo estudo é a menor demanda do Irã em meio ao conflito com os Estados Unidos. O país foi o principal comprador do milho brasileiro em 2025, com aquisições próximas de 9 milhões de toneladas.
No levantamento apresentado pela empresa, os embarques brasileiros somaram 5,1 milhões de toneladas em agosto e 5,4 milhões em setembro de 2026, abaixo dos volumes registrados nos mesmos meses de 2025.
Caso a redução das compras iranianas persista, a análise indica risco de menores exportações e maior disponibilidade interna ao término da temporada 2025/26.
Estoques elevados podem pressionar o preço do milho no Brasil
A Hedgepoint calcula os estoques finais de milho de 2025/26 em 14,7 milhões de toneladas, aumento de 20,5% sobre as 12,2 milhões de toneladas da temporada anterior.
Esse volume, associado ao ritmo mais fraco das exportações, mantém o balanço de oferta e demanda confortável e pode exercer pressão sobre os preços nas principais regiões produtoras nos últimos meses de 2026.
Para 2026/27, a empresa prevê uma redução de aproximadamente 14% nos estoques finais, para 12,6 milhões de toneladas, mesmo com a expectativa de produção recorde. A estimativa considera o crescimento do consumo pela indústria de etanol e a recuperação das vendas externas.
A concretização desse cenário dependerá da combinação entre clima, competitividade do milho brasileiro no mercado internacional e evolução da demanda dos principais importadores.
Fonte: Portal do Agronegócio

