Exportações do agro brasileiro para a Índia podem saltar de US$ 2,8 bilhões para US$ 9 bilhões, impulsionadas por algodão, etanol, óleo de soja, proteínas e genética bovina
A Índia está se consolidando como um dos mercados mais promissores para o agronegócio brasileiro. Com uma população superior a 1,4 bilhão de habitantes, crescimento acelerado da renda e expansão da classe média urbana, o país asiático passa a ocupar posição estratégica nos planos de internacionalização das cadeias produtivas do Brasil.
Enquanto Estados Unidos, União Europeia e China continuam sendo destinos relevantes para as exportações nacionais, a Índia desponta como uma alternativa de grande potencial para diversificar mercados, reduzir riscos comerciais e ampliar as vendas de produtos de maior valor agregado.
Os resultados já começam a aparecer. Em 2025, as exportações brasileiras do agronegócio para a Índia alcançaram US$ 2,8 bilhões, registrando crescimento de 47% no primeiro trimestre. A expectativa do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) é que esse volume praticamente triplique, chegando a US$ 9 bilhões até 2030.
Índia amplia demanda por alimentos, energia e tecnologia agrícola
A expansão da economia indiana, aliada ao crescimento populacional e ao aumento do consumo interno, abre espaço para diversos segmentos do agro brasileiro.
Entre os principais produtos com potencial de expansão estão:
- Algodão;
- Etanol;
- Açúcar;
- Óleo de soja;
- Proteínas animais;
- Frutas;
- Cafés especiais;
- Material genético bovino;
- Tecnologias voltadas à produção agropecuária.
Especialistas avaliam que o mercado indiano poderá representar, nos próximos anos, uma transformação semelhante à ocorrida com a China nas últimas duas décadas, ampliando significativamente as oportunidades para exportadores brasileiros.
Programa de etanol fortalece parceria entre Brasil e Índia
Um dos principais exemplos da aproximação entre os dois países ocorre na cadeia sucroenergética.
Há pouco mais de uma década, Brasil e Índia disputavam espaço no mercado internacional de açúcar. Hoje, a relação evoluiu para uma cooperação técnica voltada ao desenvolvimento da indústria de etanol.
Segundo Eduardo Leão, diretor de Estratégia e Novos Mercados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), a experiência brasileira contribuiu para acelerar o programa de biocombustíveis indiano.
Em menos de dez anos, a mistura obrigatória de etanol na gasolina da Índia saltou de cerca de 2% para aproximadamente 20%, reduzindo a dependência do açúcar como principal destino da cana-de-açúcar.
Além de estimular a demanda por biocombustíveis, esse movimento diminui os excedentes indianos de açúcar no mercado internacional, reduzindo a pressão sobre os preços globais e beneficiando os produtores brasileiros.
Algodão brasileiro conquista espaço no mercado indiano
Outro destaque da relação comercial é o algodão.
Maior exportador mundial da fibra, o Brasil deverá embarcar cerca de 300 mil toneladas para a Índia na safra 2025/26, um crescimento expressivo em comparação às apenas 8 mil toneladas exportadas em 2023.
A expansão ocorre graças ao fortalecimento das relações institucionais entre os dois países e ao reconhecimento da qualidade da fibra brasileira.
Além da comercialização, entidades brasileiras vêm oferecendo assistência técnica à indústria têxtil indiana, fortalecendo parcerias de longo prazo e ampliando a competitividade do produto nacional.
As limitações de expansão agrícola na Índia e os impactos das mudanças climáticas também favorecem o aumento das importações de algodão brasileiro.
Óleo de soja ganha relevância nas importações indianas
Os óleos vegetais representam outra importante frente de crescimento.
O Brasil ocupa atualmente a segunda posição entre os fornecedores de óleo de soja para a Índia, respondendo por aproximadamente 39,5% das importações, atrás apenas da Argentina.
O mercado indiano consome entre 15 milhões e 16 milhões de toneladas de óleos vegetais por ano, sendo aproximadamente 4 milhões de toneladas de óleo de soja, o que evidencia o elevado potencial para ampliação da participação brasileira.
Proteínas, cafés especiais e alimentos processados entram no radar
Com a rápida expansão da classe média urbana indiana, cresce também o consumo de alimentos industrializados, proteínas animais e produtos premium.
Especialistas apontam oportunidades relevantes para exportações de:
- Carnes bovina, suína e de frango;
- Cafés especiais;
- Frutas frescas;
- Alimentos processados;
- Produtos agroindustriais de maior valor agregado.
A tendência é que a evolução da renda da população impulsione uma mudança gradual nos hábitos alimentares, favorecendo fornecedores internacionais capazes de atender às exigências de qualidade e regularidade.
Genética bovina brasileira abre novo mercado na Índia
A pecuária também passou a integrar a agenda comercial entre os dois países.
Em 2024, foi realizada a maior exportação brasileira de material genético bovino para a Índia, com o envio de 40 mil doses de sêmen da raça Gir Leiteiro para Mumbai.
A operação marcou a entrada oficial da genética bovina brasileira no mercado indiano após quatro anos de negociações técnicas, comerciais e sanitárias.
A Índia é atualmente o maior produtor e consumidor de leite do mundo, tornando-se um mercado estratégico para tecnologias voltadas ao aumento da produtividade dos rebanhos.
Além da comercialização de sêmen, empresas brasileiras já negociam futuras operações envolvendo embriões e programas avançados de melhoramento genético.
Acordo Mercosul-Índia ainda limita potencial comercial
Apesar do crescimento expressivo das relações comerciais, especialistas avaliam que o intercâmbio entre Brasil e Índia ainda está longe do seu potencial máximo.
O acordo preferencial firmado entre Mercosul e Índia em 2009 contempla apenas cerca de 450 linhas tarifárias, considerado insuficiente diante da dimensão econômica dos dois blocos.
A ampliação desse acordo poderá reduzir barreiras comerciais, aumentar a competitividade dos produtos brasileiros e abrir novas oportunidades para diversos segmentos do agronegócio.
Diversificação de mercados fortalece o agro brasileiro
A consolidação da Índia como parceiro estratégico representa um movimento importante para reduzir a dependência de poucos destinos das exportações brasileiras.
Além de ampliar as vendas externas, essa diversificação fortalece a competitividade do agronegócio nacional, cria novas oportunidades para produtos de maior valor agregado e aumenta a resiliência do setor diante das oscilações do comércio internacional.
Com perspectivas de crescimento consistente da economia indiana e expansão contínua do consumo de alimentos, energia renovável e tecnologia agropecuária, o país asiático tende a assumir um papel cada vez mais relevante na estratégia internacional do agronegócio brasileiro ao longo da próxima década.
Fonte: Portal do Agronegócio

