Conab aponta plantio da segunda safra quase finalizado e colheita de verão em ritmo mais lento que 2025
As chuvas recentes têm beneficiado as lavouras de milho em estados como Mato Grosso e Paraná, mas também têm causado impactos negativos nos trabalhos de campo em Goiás e Mato Grosso do Sul, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
O plantio da segunda safra de milho no Brasil está praticamente finalizado. Até o último sábado (11), 99,9% das áreas destinadas à safrinha já haviam sido semeadas, um avanço em relação aos 99,2% da semana anterior. Apesar de ligeiramente abaixo dos 100% registrados no mesmo período de 2025, o índice está alinhado à média dos últimos cinco anos.
Estados como Goiás, Piauí, Tocantins, Maranhão e Mato Grosso já concluíram o plantio. Em seguida aparecem Paraná e Mato Grosso do Sul, com 99,8% das áreas semeadas, além de Minas Gerais (99,4%) e São Paulo (99%). Do total plantado, 54,4% das lavouras estão em desenvolvimento vegetativo, 36,3% em floração, 7,4% em enchimento de grãos e 1,8% ainda em fase de emergência.
De acordo com a Conab, as chuvas têm sido favoráveis ao desenvolvimento das lavouras no Mato Grosso e também no Paraná, embora neste último haja preocupação com as altas temperaturas. Em Mato Grosso do Sul, o plantio segue mesmo diante de chuvas intensas, enquanto em Goiás episódios de granizo e ventos fortes causaram danos pontuais às lavouras.
Paralelamente, a colheita da safra de verão também avança no país, passando de 51,3% para 55,5% das áreas colhidas. No entanto, o ritmo ainda está abaixo do registrado no mesmo período do ano passado (65,5%) e da média dos últimos cinco anos (58,5%).
Entre os estados, Santa Catarina lidera a colheita, com 96,5% da área já colhida, seguido por Paraná (94%), Rio Grande do Sul (92%), São Paulo (90%), Bahia (36%), Minas Gerais (35%) e Goiás (6%). Quanto ao estágio das lavouras, 25,8% estão em maturação, 15,5% em enchimento de grãos, 2,8% em floração e 0,4% ainda em desenvolvimento vegetativo.
Os técnicos da Conab ressaltam que, em Minas Gerais, a menor umidade tem favorecido tanto o avanço da colheita quanto a qualidade dos grãos. Já no Rio Grande do Sul, o clima instável e a priorização da soja têm limitado o progresso mais significativo da colheita.
No Paraná, o Departamento de Economia Rural (Deral) também divulgou seu relatório semanal sobre as condições das lavouras. Segundo o órgão, 55% das áreas estão em desenvolvimento vegetativo, 34% em floração e 11% já entraram na fase de frutificação. Em relação à qualidade, 85% das lavouras são consideradas boas, 11% regulares e 4% ruins.
A colheita da safra de verão no estado já alcança 96% da área, restando apenas lavouras em fase de maturação. De acordo com o Deral, a colheita da primeira safra está praticamente concluída, com resultados dentro ou até acima das expectativas iniciais em algumas regiões.
Já o milho da segunda safra segue em desenvolvimento, com áreas em germinação, floração e início de enchimento de grãos. As condições climáticas têm sido decisivas: as chuvas recentes ajudaram na recuperação parcial das lavouras, mas ainda há perdas irreversíveis em regiões afetadas pela estiagem prolongada. O estresse hídrico também favoreceu o surgimento de pragas, exigindo ajustes no manejo conforme o regime de chuvas. Em alguns casos, áreas foram redirecionadas para culturas de inverno devido ao atraso no plantio.

