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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026
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Como o clima pode redefinir a sojicultura brasileira

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Mudanças climáticas, eventos extremos e novas estratégias de manejo desafiam a produtividade da soja no país

O clima é um dos principais determinantes da produtividade agrícola, podendo responder por até 50% dos rendimentos finais das culturas, segundo a engenheira agrônoma Bárbara Faria Sentelhas. No caso da soja, essa dependência é ainda mais evidente: trata-se de uma cultura altamente sensível às condições ambientais, o que torna essencial analisar o cenário climático para compreender o futuro da sojicultura brasileira.

Eventos extremos e riscos à lavoura

Fenômenos como veranicos prolongados, excesso de chuvas em fases críticas do ciclo e temperaturas elevadas representam ameaças concretas ao desenvolvimento e à produtividade da soja. Entre esses fatores, o déficit hídrico é considerado o mais crítico, especialmente durante o florescimento e o enchimento de grãos. Mesmo curtos períodos de estiagem nessas fases podem resultar em perdas expressivas de rendimento.

Mudanças no Cerrado e no Sul do Brasil

Estudos indicam que importantes regiões produtoras do Cerrado e do Sul do país já enfrentam maior irregularidade na distribuição das chuvas, além do aumento na frequência de veranicos. Soma-se a isso o fato de a soja apresentar limites fisiológicos estreitos: temperaturas acima de 36 °C podem provocar abortamento floral e reduzir o número de vagens, impactando diretamente a produtividade.

Simulações agroclimáticas também apontam alterações nas janelas de plantio, com períodos considerados seguros tornando-se mais curtos ou deslocando-se no calendário. Esse cenário exige revisão constante dos calendários agrícolas e atenção redobrada ao Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC).

Estratégias para aumentar a resiliência climática

Para reduzir a vulnerabilidade da soja frente às mudanças climáticas, é fundamental antecipar riscos e adotar estratégias integradas, como:

  • desenvolvimento de cultivares mais tolerantes a estresses abióticos;
  • uso de simulações agroclimáticas, bioinsumos e ferramentas de agricultura de precisão;
  • manejo adequado, com escolha correta da época de semeadura, escalonamento de plantios, cobertura do solo e uso racional de insumos.

Além disso, promover ambientes favoráveis ao desenvolvimento radicular — com solos bem estruturados, ricos em matéria orgânica e livres de compactação — aumenta a resistência à seca e contribui para uma produção mais sustentável.

Do desafio à oportunidade

Diante da intensificação dos eventos climáticos extremos, a sojicultura brasileira dispõe de conhecimento técnico, inovação genética e tecnologias de manejo capazes de transformar riscos em soluções. A adaptação contínua, o planejamento estratégico e o uso eficiente dos recursos naturais serão determinantes para garantir produtividade, segurança alimentar e a resiliência do agronegócio nacional.

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