Durante a 35ª Expobai, candidato a deputado federal falou sobre preparação da mão de obra, agricultura familiar e oportunidades econômicas; município tem cerca de 10 mil indígenas e forte participação do agronegócio na economia
Amambai (MS) – Em uma cidade onde aproximadamente um em cada quatro moradores é indígena e o agronegócio movimenta centenas de milhões de reais, discutir como transformar a riqueza produzida no campo e as novas oportunidades logísticas em emprego, qualificação e renda para quem vive na região passa, necessariamente, pelos dois temas.
Durante a 35ª Expobai, evento que começou na quinta-feira (24) e segue até domingo (27), no Parque de Exposições de Amambai, o candidato a deputado federal Carlos Bernardo (União Brasil – 4455) concedeu entrevista ao radialista Carlos Alberto, na cabine da Rádio Canal 100.1, e abordou propostas relacionadas ao desenvolvimento econômico do Cone Sul.
Amambai tinha 39.325 habitantes no Censo de 2022 e PIB per capita de R$ 61,7 mil em 2023. Na agropecuária, o município produziu 319,8 mil toneladas de soja em 2024, em uma área de 130 mil hectares, com valor da produção estimado em R$ 532,3 milhões. O rebanho bovino chegou a 265.258 cabeças no mesmo ano.
É nesse cenário que Carlos Bernardo afirma que para ampliar a produção é preciso preparar os moradores para ocupar postos de trabalho mais qualificados. “Nós temos que estar preparados para as mudanças que vem ai. Nós temos que ter jovens em escolas de aprendizagem, formar tecnólogos, formar os nossos jovens e também os pais de família que queiram se fortalecer. Sabe para quê? Para que possam ter um bom salário aqui no nosso estado”, afirmou.
Em Amambai, essa discussão tem uma característica que diferencia o município de grande parte do país: a expressiva presença dos povos originários.
O Censo 2022 registrou 9.988 indígenas em Amambai, isso significa que aproximadamente 25% dos habitantes do município são indígenas. Amambai aparece entre os municípios brasileiros com maior população indígena em números absolutos.
A presença indígena também se espalha pelo território. A Terra Indígena Amambai, por exemplo, registrou 6.864 moradores no Censo 2022, enquanto Limão Verde tinha 2.087 pessoas contabilizadas no levantamento.
Bernardo direcionou parte da fala aos jovens indígenas e defendeu que desenvolvimento regional também signifique acesso dessa população à formação profissional e aos postos de maior qualificação. “Tem os jovens indígenas. O campo está aberto. Não precisa dizer: ‘porque você é índio, você tem que ficar ali abandonado à espera de cesta básica’. Você pode também colocar a cara no tempo e ir para cima. Falar: ‘eu quero para mim também o meu direito’. Eu quero ter o meu direito de estudar, de ser um doutor, de ser um advogado”, afirmou.
Bernardo também criticou problemas de infraestrutura que, segundo ele, encontrou em comunidades indígenas que visitou no Estado, citando dificuldades relacionadas a água, esporte, saúde e educação. “Os povos têm que trabalhar, têm que ter oportunidade. Tem que ter água nas aldeias. Por que eu sei que falta? Porque eu rodei várias aldeias neste Estado”, disse.
Nesse contexto, a dimensão indígena deixa de ser apenas uma pauta social e passa a integrar diretamente o debate econômico de Amambai: qualquer estratégia de qualificação de mão de obra que pretenda alcançar parcela significativa da população local necessariamente envolve os povos originários.
Outro ponto abordado por Bernardo foi a agricultura familiar. O candidato defendeu assistência pública para permitir que pequenos produtores atendam às exigências sanitárias e possam comercializar produtos de maior valor agregado.
Durante a fala, citou produtores de chácaras e sítios que encontram dificuldades para comercializar leite, queijo, doces, ovos, frango caipira e outros produtos por falta de estrutura adequada de inspeção. “Eu sou a favor da sanidade animal, tem que ter. Só que o governo tem que ajudar”, afirmou.
A discussão dialoga com um desafio econômico recorrente nos municípios produtores: avançar da produção primária para atividades que agreguem valor dentro da própria região, ampliando a renda que permanece nas cidades.
Carlos Bernardo é candidato a deputado federal pelo União Brasil, número 4455.

