A área semeada com trigo no Brasil deverá cair 15,5% na safra 2026/27, segundo a primeira pesquisa de intenção de plantio divulgada por Safras & Mercado nesta terça-feira (10). O levantamento indica semeadura de 1,985 milhão de hectares, contra os 2,349 milhões cultivados em 2025/26.
A produção brasileira é estimada em 6,855 milhões de toneladas, abaixo das 8,020 milhões colhidas no ciclo anterior, queda de 14,5%. O rendimento médio nacional é projetado em 3.453 quilos por hectare, ligeiramente acima dos 3.414 quilos registrados na temporada passada.
“Se confirmada, essa retração consolidará um movimento mais amplo de redução da área cultivada com trigo no Brasil. Em relação aos níveis observados há quatro anos, a área plantada terá recuado mais de 40%, refletindo as dificuldades econômicas enfrentadas pelo produtor e a crescente competição com outras culturas de inverno”, explicou o analista da equipe de Inteligência de Mercado da consultoria, Elcio Bento.
Conforme o especialista, a queda é mais intensa nas principais regiões produtoras do Sul. No Rio Grande do Sul, maior produtor nacional, a área deve diminuir de 1,050 milhão para 830 mil hectares, recuo de 21%. A produção é estimada em 2,8 milhões de toneladas, contra 3,6 milhões na safra anterior.
No Paraná, segundo maior, a área é projetada em 710 mil hectares, ante 855 mil hectares no ciclo passado, redução de 17%. A produção deve alcançar 2,45 milhões de toneladas, abaixo das 2,8 milhões colhidas em 2025/26. Santa Catarina também deve registrar retração de 18,2%, enquanto São Paulo tende a queda de 13,6% na área.
Safras estima que a redução nas principais regiões produtoras está associada a fatores econômicos e climáticos. “O principal desestímulo é a deterioração da relação de troca entre o preço do trigo e o custo dos insumos. O encarecimento dos fertilizantes, especialmente nitrogenados, tem pressionado os custos de produção”, apontou Bento.
Regiões fora do eixo devem aumentar plantio
Por outro lado, Safras estima que algumas regiões fora do eixo tradicional de produção tenham uma maior área. Minas Gerais deve ampliar a semeadura em 24%, passando de 125 mil para 155 mil hectares, com produção estimada em 500 mil toneladas.
Goiás e o Distrito Federal devem registrar aumento de 17,6% na área, para cerca de 80 mil hectares. A produção projetada é de 360 mil toneladas.
Redução é uma forma de cautela dos produtores
Safras & Mercado também chama atenção para a possibilidade de ocorrência de El Niño no segundo semestre, o que gera preocupação entre os produtores, especialmente na região Sul do país. O fenômeno costuma aumentar a frequência de chuvas em fases críticas do desenvolvimento do trigo, elevando o risco de problemas de qualidade, como maior incidência de giberela e presença de micotoxinas.
Além do fator climático, o ambiente de produção segue marcado por cautela. A escassez e o alto custo do seguro agrícola, somados à limitação de crédito e às perdas financeiras registradas em safras recentes, reduzem a disposição dos produtores para assumir maiores riscos. Nesse contexto, o baixo volume de vendas de sementes certificadas reforça a expectativa de retração da área cultivada ou de menor investimento tecnológico nas lavouras.
Com informações: Safras News

