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sábado, 17 de janeiro de 2026
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Sorgo deixa de ser alternativa e ganha protagonismo na safrinha de Mato Grosso do Sul

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O sorgo vem assumindo um papel cada vez mais relevante na segunda safra de Mato Grosso do Sul e já não é visto apenas como opção emergencial em anos de risco climático.

A cultura passou a integrar o planejamento econômico dos produtores rurais, impulsionada principalmente pela demanda das usinas de etanol de milho instaladas no Estado.

Em um intervalo de apenas cinco safras, a área cultivada com sorgo saltou de pouco mais de 5 mil hectares para cerca de 400 mil hectares, um avanço superior a 7.700%, segundo dados do SIGA (Sistema de Informações Geográficas do Agronegócio). A ferramenta é gerida pelo Governo do Estado, por meio da Semadesc, em parceria com a Aprosoja.

Para o secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, o crescimento acelerado não ocorre por acaso. “Esse movimento é resultado de estratégia e de mercado. A presença das usinas de etanol de milho criou uma demanda estruturada, com contratos, previsibilidade e escala, o que deu sustentação à expansão do sorgo”, afirma.

Os levantamentos do SIGA mostram que a virada mais expressiva ocorre a partir da safra 2021/2022, quando a cultura começa a ocupar áreas maiores e a ganhar ritmo consistente. Após um período de ajustes naturais, o sorgo volta a avançar com força na safra 2024/2025, praticamente dobrando a área plantada no Estado.

Embora dados da Conab e do IBGE já apontassem o fortalecimento da cultura ao longo da década, o SIGA permite visualizar com maior precisão a velocidade e a distribuição territorial desse crescimento dentro de Mato Grosso do Sul.

Na avaliação de Verruck, o sorgo passou a ser peça-chave na estratégia da safrinha, sobretudo em regiões com janela curta após a colheita da soja, maior vulnerabilidade climática e necessidade de reduzir riscos produtivos e financeiros. “Quando o mercado oferece segurança, o produtor consegue planejar melhor e tomar decisões mais eficientes”, destaca.

A consolidação das usinas de etanol de milho é apontada como fator decisivo nesse processo. Segundo o secretário, antes da chegada das indústrias, a cultura enfrentava limitações justamente pela ausência de demanda contínua. “Com a industrialização, surgiram contratos de compra, estrutura de armazenagem e logística, superando entraves históricos”, explica.

Dados do SIGA indicam que, na safra mais recente, cerca de 50% da área de sorgo de segunda safra está concentrada em apenas dez municípios. Ponta Porã e Maracaju lideram o ranking, seguidos por Bonito, Bela Vista e Sidrolândia. O mapa do cultivo revela que o sorgo avança principalmente em regiões onde o milho enfrenta maiores restrições climáticas, funcionando como ferramenta de gestão de risco.

Para o secretário-executivo de Desenvolvimento Econômico Sustentável da Semadesc, Rogério Beretta, o comportamento da cultura reflete sua adaptação a áreas consideradas marginais para o milho. “O sorgo apresenta maior tolerância a estresses climáticos e menor sensibilidade a problemas sanitários, o que o torna mais viável em determinadas condições”, avalia.

Beretta ressalta ainda que a entrada das usinas de álcool de cereais alterou completamente a lógica do plantio. “Hoje existe mercado garantido, contratos firmados e infraestrutura disponível. Isso dá segurança ao produtor para investir e ampliar a área”, afirma.

No cenário nacional, as projeções da Conab indicam que o Brasil deve ultrapassar 6,6 milhões de toneladas de sorgo na safra 2025/2026. Mato Grosso do Sul aparece como o quarto maior produtor do país, consolidando sua posição na cadeia.

Para Jaime Verruck, o exemplo do sorgo evidencia como a combinação entre mercado, planejamento e visão de longo prazo fortalece o agronegócio. “A integração entre produção agrícola, bioenergia e sustentabilidade promove desenvolvimento regional, reduz riscos e amplia o uso eficiente do solo”, conclui.

A área plantada de sorgo na safrinha de Mato Grosso do Sul cresceu de forma acelerada nos últimos anos, saindo de cerca de 5 mil hectares em 2019/2020 para aproximadamente 400 mil hectares na safra 2024/2025, impulsionada pela demanda das usinas de etanol de milho e pelo uso da cultura como estratégia de redução de risco climático.

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