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quinta-feira, 8 de janeiro de 2026
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Citricultura se consolida como nova fronteira agrícola e deve injetar R$ 2,4 bilhões na economia de MS

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Com investimentos estimados em R$ 2,4 bilhões e cerca de 35 mil hectares de projetos já prospectados, a citricultura avança de forma acelerada em Mato Grosso do Sul e se consolida como uma das principais apostas do agronegócio estadual para a diversificação da base produtiva, geração de renda e atração de novos empreendimentos.

Atualmente, o Estado já contabiliza mais de 7 milhões de mudas implantadas, com meta de alcançar 50 mil hectares de pomares formados até 2030, ampliando de maneira significativa sua participação na produção nacional de laranja.

Embora ainda não figure entre os maiores produtores do país — ranking liderado por São Paulo, responsável por cerca de 78% da produção nacional, seguido por Minas Gerais, Paraná e Bahia — Mato Grosso do Sul vive um processo consistente de expansão, sustentado pela disponibilidade de terras, clima favorável, logística estratégica e segurança jurídica.

Nos últimos anos, grandes grupos citrícolas passaram a direcionar investimentos robustos para o Estado. Um dos principais exemplos é a Cutrale, que já possui grande parte de seus 5 mil hectares plantados em Sidrolândia e tem previsão de alcançar até 8 milhões de caixas por safra quando os pomares entrarem em plena produção.

Além da Cutrale, outros importantes empreendimentos vêm ampliando sua presença em Mato Grosso do Sul, como Cambuy, Frucamp, Agro Terena, Citrosuco e Grupo Junqueira Rodas, além de produtores independentes que apostam na diversificação produtiva e no potencial da citricultura sul-mato-grossense.

Para o secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, o avanço da citricultura é resultado de uma estratégia estruturada que alia investimentos privados a políticas públicas focadas em sanidade, capacitação e fortalecimento do ambiente de negócios.

Citricultura se consolida como nova fronteira agrícola e deve injetar R$ 2,4 bilhões na economia de MS
Eduardo Sgobi, citricultor

“A citricultura representa uma nova fronteira agrícola para Mato Grosso do Sul. O Estado construiu uma base sólida de segurança jurídica e sanitária, com ações firmes na defesa agropecuária, capacitação profissional e parcerias com instituições como o Fundecitrus. Isso tem dado confiança aos investidores e criado condições para um crescimento sustentável da atividade”, destacou.

O fortalecimento da cadeia produtiva conta ainda com ações de apoio técnico e institucional da Semadesc, incluindo a ampliação da defesa agropecuária, programas de capacitação e atuação integrada com municípios e o setor produtivo para garantir sanidade e produtividade aos pomares.

Reconhecimento do setor produtivo

O potencial do Estado também é reconhecido pelos investidores. Proprietário da Fazenda Paraíso, em Três Lagoas, Eduardo Sgobi ressaltou a singularidade da iniciativa governamental e a qualidade do solo sul-mato-grossense.

“Considero essa iniciativa governamental singular. Não conheço outra unidade da federação que esteja implementando algo semelhante. A qualidade do solo é impressionante, com áreas de pastagens antigas e pouco exploradas, o que demonstra grande potencial produtivo para a citricultura”, afirmou.

A empresária Sarita Junqueira Rodas, do Grupo Junqueira Rodas, que iniciou o plantio em abril de 2024, também destacou o ambiente favorável encontrado no Estado e já projeta novos investimentos.

“Estamos muito motivados com os projetos em Mato Grosso do Sul. O Estado tem colaborado de forma decisiva para que os empreendimentos sejam estruturados com solidez desde o início. Hoje, os principais desafios são energia e mão de obra, mas acreditamos que isso será superado com capacitação”, explicou.

Segundo ela, a formação de mão de obra especializada vem sendo construída desde o início, com destaque para a crescente participação feminina na atividade. “Estamos treinando pessoas do zero, inclusive trabalhadores que nunca atuaram na agropecuária. Já contamos com várias tratoristas em nossa propriedade”, completou.

Tendência de crescimento

O movimento evidencia uma tendência clara: mesmo ainda fora do topo do ranking nacional, Mato Grosso do Sul reúne condições técnicas, econômicas e institucionais para se tornar um dos principais polos citrícolas do país nos próximos anos, fortalecendo a economia regional e ampliando oportunidades no campo.

“A citricultura já engrenou em MS. Para os próximos dois a três anos, o Estado vai intensificar ações de sanidade, com tolerância zero ao greening, retenção de mão de obra indígena e redução do ICMS, que hoje é de 2% na saída da laranja”, salientou Verruck.

O secretário destacou ainda que praticamente 100% da cultura é irrigada, o que garante maior produtividade. “As linhas do FCO continuarão disponíveis, principalmente para irrigação. O objetivo é criar as condições para, no futuro, com pelo menos 25 mil hectares em produção, viabilizar a tão sonhada industrialização da citricultura no Estado”, finalizou.

Com informações: Comunicação Semadesc
Fotos: Mairinco de Pauda/Semadesc

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