08/06/2015 10h15 – Atualizado em 08/06/2015 10h15
No Dia Mundial do Meio Ambiente, a Embrapa Agropecuária Oeste lembra a importância do Brasil ter evoluído de ‘pró-produção agropecuária’ para um País ‘pró-produção e pró-ambiente’
O Dia Mundial do Meio Ambiente é comemorado em 5 de junho, e diversos
segmentos da sociedade buscam diminuir os impactos do desenvolvimento, preservar
os recursos naturais e conscientizar a população. No campo da agropecuária não é
diferente. A nova ordem econômica mundial é produzir grãos, fibras, carne e energia
com foco não somente no aumento da produção, mas com enfoque principalmente
ambiental, gerando também melhorias sociais. As instituições de pesquisa brasileiras
têm acompanhado e contribuído para que essa demanda da sociedade seja colocada
em prática.
A Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
(Mapa), faz parte dessa realidade ao gerar conhecimentos e tecnologias, que
conservam e acumulam água no sistema de produção, reduzem a emissão dos gases
de efeito estufa, preservam nascentes e mananciais, entre outros resultados de
pesquisa que buscam atender à atual realidade econômica: a agropecuária como
geradora de grãos, fibras e energia, mas também de ativos ambientais.
O pesquisador Guilherme Asmus, chefe geral da Embrapa Agropecuária Oeste,
lembra que antes da década de 1970, o Brasil era importador de alimentos e a partir
daquela década, houve a preocupação com a produção interna de alimentos e, por
isso, o investimento em instituições de pesquisa.
“Costumo dizer que, naquela época, o País vivia em um momento ‘pró-
produção’, para ser autossuficiente. Com isso, acabou sendo também um grande
player mundial no comércio de alimentos. Depois de se tornar autônomo, o Brasil
entrou em uma nova fase, quando a pesquisa agrícola passou a se preocupar mais
fortemente com o tripé da sustentabilidade com grande foco ‘pró-ambiente’,
desenvolvendo conhecimento e tecnologias ambientalmente amigáveis”.
Uma das consequências dessa preocupação da pesquisa e,
consequentemente da assistência técnica e do produtor rural, é que houve aumento
da produtividade por área com reflexo ambiental direto: a menor pressão sobre
fronteiras agrícolas. Asmus cita, entre as contribuições da Embrapa, os sistemas que
permitem a integração de atividades que possibilitam maior ganho e eficiência de
produção por unidade/área, permitindo a existência de 2 a 2,5 safras/ano.
Outro exemplo foi o desenvolvimento do consórcio milho com Brachiaria
ruziziensis, com resultados positivos principalmente no sistema de produção no
Cerrado Brasileiro – onde a cobertura vegetal se degrada rapidamente, deixando o
solo descoberto até que outra cultura entre na área. “A pesquisa mostra que o
consórcio, tecnologia aprimorada pela Embrapa, entre outros benefícios, conserva a
umidade do solo, evita a erosão e aumenta a produtividade. Isso significa, mais uma
vez, que as pesquisas geram tecnologias para a agropecuária que chegam ao
produtor rural e que conservam o meio ambiente”, afirma Asmus.
A integração lavoura-pecuária (ILP) e o manejo integrado de pragas (MIP),
considerando o controle biológico de pragas, e a fixação biológica de nitrogênio (FBN)
são tecnologias desenvolvidas que impactam de forma positiva no meio ambiente, . O
pesquisador Asmus diz que, no caso da FBN, “embora seja uma tecnologia antiga, as
instituições de pesquisa a desenvolvem, melhoram e expandem a cada ano, com
resultados espetaculares em diferentes cultivos, caso de leguminosas como o feijão-
caupi e de gramíneas, como o milho.”
Dentro dos macrotemas de pesquisa da Embrapa, também há modelos
agrícolas ambientalmente sustentáveis aplicados aos agricultores familiares, como
sistemas de base agroecológicas e agricultura de base orgânica. “São pesquisas que
estão entre os temas prioritários da Empresa. Na Unidade [da Embrapa em Dourados,
MS], temos projetos de pesquisa e de transferência de tecnologia voltados para esses
temas. Lembrando que a maior parte da produção do Brasil vem de pequenas
unidades familiares e, da mesma forma, é preciso aliar produtividade à preservação do
meio ambiente.”



