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Famasul boicota movimento de produtores em Dourados

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24/03/2015 15h58 – Atualizado em 24/03/2015 15h58

Lideranças lamentam ausência da Federação da Agricultura e Pecuária em encontro organizado pela Frente Produtiva do Brasil no Parque de Exposições João Humberto de Carvalho, em Dourados, na manhã de domingo

Por: Gazeta do Campo

A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul) acabou dividindo com o governo federal as críticas feitas durante o 4º Encontro da Frente Produtiva do Brasil, realizado ontem no Parque de Exposições João Humberto de Carvalho, em Dourados. As lideranças atacaram o que classificaram como “boicote da Famasul” ao evento que reuniu produtores rurais, lideranças empresariais e políticas de São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso. “Lamentamos que a Federação da Agricultura de Mato Grosso do Sul, entidade que é mantida pelo nosso dinheiro, não esteja presente neste ano, não tenha enviado representante e não esteja preocupada em defender os produtores do Estado”, enfatizou o presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Luiz Antônio Nabhan Garcia, coordenador da Frente Produtiva do Brasil.
Ele ressaltou que a Famasul teria obrigação de caminhar ao lado do produtor neste momento e sugeriu que os ruralistas cobrem uma atuação mais firme da entidade que, em tese, deveria defender quem planta e cria. “É inadmissível que a Federação da Agricultura não esteja neste protesto e nem tenha enviado representante mesmo diante dos insistentes convites que fizemos à sua direção”, lamentou Luiz Antônio Nabhan Garcia sob aplausos de mais de 400 produtores rurais que lotaram o tattersal do Parque de Exposições.
O coordenador da Frente Produtiva do Brasil também não economizou críticas à direção da Associação dos Produtores de Soja do Mato Grosso do Sul (Aprosoja). “Como uma entidade que se propõe a defender o agricultor pode ignorar um movimento como esse?”, questionou Luiz Antônio Nabhan Garcia. “Convidei o presidente da Aprosoja e falei da importância dele estar ao lado do produtor nesse momento, mas a exemplo da Famasul ele boicotou nosso encontro”, lamentou.
O vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Rio Grande do Sul (Farsul), Tarso Teixeira, também criticou a ausência da Famasul no 4º Encontro da Frente Produtiva do Brasil. “Nossa comitiva saiu do Rio Grande do Sul para defender o agronegócio, para protestar contra a corrupção e para cobrar moralidade na política, enquanto a Federação de Mato Grosso do Sul preferiu boicotar a mobilização daqueles que ela deveria defender”, desabafou Tarso Teixeira.
O produtor Luiz Antônio Moraes, que esteve no Encontro Nacional representando o Sindicato Rural de Araçatuba, também lamentou a ausência da Famasul no protesto. Ele convocou os produtores de Mato Grosso do Sul a unirem forças em defesa dos seus direitos e na construção de um país mais justo para todos os brasileiros.
O produtor Juarez Petrim, do Instituto Riograndense do Arroz, não economizou críticas à Famasul e, também, à Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA). “Foi essa omissão que levou nosso país à situação em que ele se encontra hoje e não podemos nos acovardar na defesa dos nossos direitos, como a Famasul e a CNA estão fazendo neste ano”, ressaltou.
O produtor Jorge Luiz Izar, da Federação da Indústria de São Paulo (Fiesp) e coordenador nacional do Movimento Vem Pra Rua, disse que entendia a ausência da Federação da Agricultura de Mato Grosso do Sul porque as federações estão muito dependentes do governo federal. “As federações dependem de repasses e não se insurgem contra o governo por medo de retaliações”, observou.
Matilde Gonzalez, coordenadora do Movimento Vem Pra Rua, convocou os produtores rurais para que eles engrossem o segundo protesto nacional em defesa do país, contra a corrupção e contra a política econômica do governo, que está marcado para ocorrer no dia 12 de abril em todo o país.

Foto: Marcos RibeiroLuiz Antônio Nabhan Garcia, presidente da União Democrática Ruralista (UDR) e coordenador da Frente Produtiva do Brasil, discursa durante encontro em Dourados e critica ausência da Famasul no protesto de produtores

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