24/12/2013 11h08 – Atualizado em 24/12/2013 11h08
Deputado afirma que processo seletivo para mais importante vestibular do país apresentou questão que maculou a imagem de Mato Grosso do Sul em todo o Brasil
O deputado estadual Zé Teixeira (DEM) liderou uma Moção de Repúblico da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul à Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest), responsável pela elaboração da prova de seleção para a Universidade de São Paulo (USP) e para a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Para Zé Teixeira, o diretor-presidente da Fuvest, prof. Dr. Antônio Evaldo Comune se deixou induzir por uma tabela inverídica elaborada pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) sobre o assassinato de índios em Mato Grosso do Sul e colocou no vestibular 2014 uma questão que macula a imagem de todo o Estado perante o restante do país.
Na questão número 50 da prova da Fuvest, foi apresentada uma tabela com registro de mortes de índios no Brasil e em Mato Grosso do Sul e os vestibulandos deveriam apontar a questão que melhor interpretasse a tabela. Nos últimos 10 anos, a tabela do Cimi apresentou 554 homicídios de índios em todo o país, sendo que 330 deles ocorreram, segundo o Cimi, em Mato Grosso do Sul. Ocorre que no gabarito na Fuvest, a alternativa certa era a letra “E”, que tinha a seguinte redação: no período abrangido pela tabela, a participação do Mato Grosso do Sul no total de indígenas assassinados é muito alta, em consequência, principalmente, de disputas envolvendo a posse de terra.
O deputado Zé Teixeira reagiu com veemência à tabela do Cimi, classificando os números como “mentirosos” porque não retratam a realidade em Mato Grosso do Sul. “O Cimi induziu a Fuvest ao erro e vendeu uma imagem profundamente negativa do nosso Estado, mesmo porque um relatório da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública revela que 99% das mortes de índios em MS ocorreram dentro das próprias aldeias e tiveram como autores os próprios indígenas”, enfatiza Zé Teixeira.
Segundo o deputado, em 2006 foram 7 homicídios de índios e em 5 deles os autores foram os próprios índios. Em 2007 foram 37 homicídios de índios, sendo que em 32 casos os autores foram índios. Em 2008 foram 35 homicídios onde as vítimas eram índios e em 33 casos o crime foi cometido por indígena. Em 2009 foram 25 mortes de índios em Mato Grosso do Sul, com 23 delas cometidas por índios.
Ainda segundo o deputado, em 2010 foram 28 assassinatos de índios no Estado e 26 deles foram praticados por índios. Em 2011 foram 27 homicídios de índios em Mato Grosso do Sul e os 27 tiveram como autores os próprios índios. A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública revela também que em 2012 o número de assassinatos de índios em Mato Grosso do Sul ficou em 32 e em 30 casos os autores foram os próprios índios.
Para Zé Teixeira, esses números desmentem a tabela do Cimi e comprovam o erro no vestibular da Fuvest. “O mais importante é que esse levantamento comprova que os nossos irmãos índios estão morrendo não por causa da disputa pela terra, como tentam fazer crer as ONGs nacionais e internacionais, mas sim pela falta de segurança e de políticas públicas nas aldeias indígenas de Mato Grosso do Sul, onde o consumo de álcool e drogas está cada vez maior”, conclui.
Para Zé Teixeira está havendo uma deturpação da verdade. “Alguém teve o cuidado de saber como estão vivendo as famílias de colonos que tiveram que abandonar suas terras produtivas no Distrito do Panambi?”, questiona. “E como estão as famílias dos policiais que foram mortos pelos índios na área invadida do Porto Cambira?”, pergunta. “E alguém foi tentar saber como está a família do pequeno produtor rural de Douradina que foi transformado em alvo pelos índios e acabou morrendo com dezenas de flechadas pelo corpo?”, volta a questionar o deputado.
MOÇÃO
Na Moção de Repúdio ao Fuvest, a Assembleia Legislativa ressalta que a questão elabora para o vestibular da USP é totalmente maléfica a imagem do Estado perante todo o Brasil, pois, afirma que a taxa de assassinatos de indígenas em virtude da disputa fundiária é muito alta no Estado, sendo que tais informações não são verdadeiras.
“O Mato Grosso do Sul tem prestado atendimento à população indígena por meio de ações de transferência de renda – Bolsa Família, Vale Renda, Vale Universidade Indígena, Segurança Alimentar e Nutricional, além de ações de geração de renda, com projetos de inclusão produtiva (produção de banana, mandioca, farinha, hortaliças, serigrafia e artesanato), ações do Pronatec (qualificação e inserção no mundo do trabalho), ações de proteção social por meio do CRAS Indígena, Capacitação de Conselheiros Tutelares e Conselheiros dos Direitos da Criança e do Adolescente e, ainda, ações de defesa dos Direitos e não existe genocídio dos povos indígenas”, enfatiza o texto da moção.
“Salientamos Apoiamos as ações legítimas dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, bem como de manifestações e o empenho da dasse produtora rural pelo consenso, pela aplicação da justiça e pelo fim do conflito, onde acabam todos penalizados”, ressalta o texto.
Fonte: Marcos Santos


