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Importância da primeira aplicação para controlar lagartas na cultura da Soja

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28/10/2013 17h05 – Atualizado em 28/10/2013 17h05

Importância da primeira aplicação para controlar lagartas na cultura da Soja.

Sérgio Arce Gomez

O agroecossistema da soja é caracterizado pela presença de um grande número de artrópodos, dentre os quais se destacam os insetos-praga e os seus inimigos naturais (I.N). Essas populações de pragas e I.N. flutuam naturalmente no campo durante a permanência da cultura no campo. No grupo dos artrópodos, os I.N. estão representados por insetos. Entre estes, há os que parasitam as pragas (parasitóides) e aqueles que as caçam, matam e comem (predadores).

Há também as aranhas – que não são insetos – mas são predadoras por excelência. Em condições adequadas de manejo na cultura da soja, as lagartas – como as de Anticarsia gemmatalis – são atacadas pelos I.N. acima citados, ou podem ser, eventualmente, dizimadas por epizootias causadas por agentes patogênicos, como ricketsias, nematóides, protozoários e Baculovirus Anticarsia; podem também ser, freqüentemente, exterminadas pelo fungo branco Nomuraea rileyi.

Da mesma forma, sofrem implacáveis ações de fatores físicos do tempo, como: calor e frio excessivos, assim como ventos fortes associados com chuvas intensas, etc.. Esses e outros obstáculos naturais mantêm em cheque o crescimento populacional da Anticarsia gemmatalis (lagarta da soja), Pseudoplusia includens (falsa- medideira), etc., que podem permanecer em patamares inferiores ao do Nível de Dano Econômico (NDE) por longos períodos.

Há momentos, contudo, em que esses agentes naturais de controle já não são suficientes para impedir o estabelecimento de altas populações das lagartas de A. gemmatalis e/ou P. includens. Nessas ocasiões, há necessidade de que o agricultor tome, prontamente, medidas de controle. Caso contrário, essas lagartas poderão causar sensíveis perdas de área folhar nas plantas – que podem ser irreversíveis, dependendo do estágio de crescimento da planta, do regime de chuvas, da concorrência de ervas daninha, nutrição, etc. – diminuindo a produção.

Este também é o momento crucial que determinará se o agricultor, daí em diante, vai fazer um controle racional, eficiente e econômico na sua lavoura, ou vai cometer um sério erro. Se ele errar na escolha do inseticida, ou aplicar cedo demais, vai se defrontar com seriíssimos problemas, logo adiante: vai ter que fazer várias aplicações devido às rápidas ressurgências de populações da A. gemmatalis; se verá na contingência de ter que agir contra a P. includens, cuja magnitude populacional recrudesceu nos últimos anos, justamente em função do cometimento do erro acima citado; em condições de extremo desequilíbrio pode ter que se haver com espécies exóticas, como a lagarta da maçã do algodoeiro Heliothis virescens, etc.; pode ter que lidar com a resistência das pragas aos inseticidas, contaminação ambiental, intoxicação de humanos e de outros organismos não-visados, etc.

Todos esses inconvenientes podem ser evitados (ou minimizados) com medidas simples, tais como: retardamento ao máximo da primeira aplicação. – Como? – fazendo amostragens semanais na lavoura (Método do Pano); armando-se, psicologicamente, contra pressões de todo tipo, como as de transeuntes, vizinhos e outros, que, ao verem a soja com alguns furos nas folhas do topo da planta, vão dizer: “- Nossa, a tua lavoura está cheia de lagartas, você tem que passar veneno, já!”; tomando a medida de controle apenas quando as populações de lagartas estejam bem próximas – ou quando atinjam o Nível de Ação (NA); tendo também em mente que 15 ou 20 lagartas por amostragem, por exemplo, não vão comer o suficiente para prejudicar a produção.

Além disso, deve considerar que a soja pode se recuperar totalmente de determinados níveis de desfolhamentos, principalmente quando estes ocorrem antes da fase de florescimento. Ambas as afirmações estão cientificamente comprovadas. Em contrapartida, aquelas poucas lagartas – contra as quais o agricultor evitou agir, desnecessariamente – vão servir de alimentos para todos os predadores e parasitóides e de substratos para fungos, protozoários, Baculovirus, etc. já nominados. É impossível que esses I.N. das pragas se estabeleçam na cultura – ou nela permaneçam – sem presas, ou hospedeiros para se alimentar e, depois, se acasalar e aumentar em número.

Contudo, mesmo com o máximo de cuidado, o que usualmente acontece é que, em dado momento, se chega ao dia em que a população de lagartas atinge a magnitude em que o controle tem que, inevitavelmente, ser feito. Nessa ocasião, é essencial que o agricultor escolha um inseticida seletivo, isto é, um que mate apenas a praga e preserve os parasitóides e predadores; é ideal que ele dê preferência aos reguladores de crescimento, ou congêneres, desde que as lagartas ainda não estejam muito desenvolvidas; se já estiverem grandes, há outros inseticidas quase tão bons quanto os citados.

Havendo mistura de lagarta da soja e falsa-medideira, deve usar a dose que controle satisfatoriamente a espécie menos suscetível a inseticidas (falsa- medideira); é, também, muito importante que a dose de inseticida usada preserve uma quantidade mínima de lagartas vivas, para a manutenção daqueles predadores e parasitóides na lavoura. Os produtos seletivos são aparentemente mais caros do que outros existentes no mercado, mas podem se revelar muito mais baratos, tendo em vista que os não-seletivos têm que ser usados muito mais vezes devido ao desequilíbrio que provocam (matam os I.N), causando rápidas ressurgências da mesma praga, ou a erupção de pragas secundárias, como já foi citado. Em contrapartida, com os seletivos, o agricultor dificilmente terá ressurgências, ou erupções de pragas secundárias, podendo colher a lavoura com, no máximo, duas aplicações. Boa sorte!

Engenheiro Agrônomo, Entomologista, Dr. Pesquisador aposentado da EMBRAPA.

Sérgio Arce Gomez em homenagem recebida no 13° Siconbiol. Foto: Divulgação

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