27/05/2013
Ameaçados de perder suas terras para os índios, os produtores rurais voltam à Assembleia Legislativa para participar nesta segunda-feira (27), de audiência pública sobre o processo de demarcação de terras indígenas em Mato Grosso do Sul.
Por iniciativa dos deputados estaduais Zé Teixeira (DEM) e Mara Caseiro (PTdoB)), os debates ocorrerão dias após representantes da classe produtora terem participado de manifestação na Assembleia contra a decisão da Funai (Fundação Nacional do Índio) de reconhecer como terras indígenas áreas produtivas e tituladas no Estado, a maioria das quais localizadas na região sul.
Na última quinta-feira, os produtores rurais fizeram um desabafo no plenário da Assembleia sobre a demarcação de terras indígenas e exigiram uma solução para o impasse, que se estende há anos. A sessão ordinária foi transformada em especial por solicitação de Zé Teixeira e Mara Caseiro.
Emocionado, o ex-deputado Ricardo Bacha falou sobre a invasão de grupo de índios em suas terras, na semana passada, à Fazenda Buriti, em Sidrolândia. A família do produtor rural e os funcionários foram feitos reféns. Segundo ele, a porta da casa foi arrombada e a energia elétrica cortada.
Devem participar do encontro, marcado para começar às 14 horas, representantes da Assomasul (Associação dos Municípios de Mato Grosso do Sul), Acrissul (Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul), Famasul (Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul) e Funai (Fundação Nacional do Ìndio), entre outras instituições.
Além dos diversos discursos que fez em plenário e das manifestações das quais participou em apoio aos produtores rurais, Mara Caseiro esteve recentemente em Brasília, participando de reunião da Comissão de Agricultura da Câmara, onde a ministra Gleisi Hoffmann foi sabatinada sobre o assunto.
Ela também debateu o assunto durante reunião com o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), a quem pediu apoio pelo fim das demarcações de terras consideradas indígenas em Mato Grosso do Sul. Também participaram do encontro parlamentares de vários estados brasileiros afetados pelo processo demarcatório, além de produtores e presidentes de sindicatos rurais.
Tanto Mara Caseiro quanto Zé Teixeira criticam a demora na tomada de decisão do governo acerca das demarcações e os abusos cometidos pela Funai nesse processo.
Para eles, o maior problema dos indígenas atualmente não é falta de terra, mas de estrutura. Hoje, eles possuem cerca de 13% de todo o território brasileiro demarcado, e esse espaço tem crescido vertiginosamente ao longo dos anos.
Para Zé Teixeira, os índios precisam hoje de um órgão que cuide de seus interesses, e a Funai não tem cumprido esse papel.
Mara Caseiro afirma que se todas as portarias divulgadas pela Funai forem homologadas, a produção no Estado estará fadada ao fracasso, sobretudo no Conesul, a região mais afetada pelo processo demarcatório.(conjuntura on line)


