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Demora para incentivar maior inovação provoca importação

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04/04/2013

O Brasil tem sofrido com os dados da balança comercial. Segundo o que foi divulgado na segunda-feira pelo Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior (MDIC), o País acumula déficit de US$ 5,150 bilhões no ano. Ao mesmo tempo, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) incluiu mais 217 produtos importados na lista de ex-tarifários, com o objetivo de estimular os investimentos na indústria. Especialistas consultados pelo DCI acreditam que mesmo com os esforços do governo em aumentar os investimentos e a produtividade, as condições econômicas e a falta de foco em inovação não devem permitir que isso ocorra.

Segundo o professor da Universidade Anhembi Morumbi, Marcello Gonella, “em termos de curto prazo a gestão econômica do Brasil hoje está errada. A interferência prejudicou a indústria porque afugentou os investimentos, os empresários estão receosos que possa ter no futuro uma intervenção no seu setor. Para o empresário pensar em investimento tem que ter perspectiva”, disse o especialista.

Ao ser questionado sobre a falta de inovação da indústria brasileira, o professor afirmou que programas como o Inova Brasil – uma parceria do governo federal com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) – soam como uma coisa um pouco eleitoral. “Se temos uma mão de obra defasada como vamos lidar com isso”, questiona Gonella. “A questão do investimento você não melhora fazendo programas de inovação, quando tem uma economia em equilíbrio você tem investimentos”. Para o professor, a economia brasileira não tem mantido o tripé macroeconômico em que seria política cambial, fiscal e meta de inflação.

Para o professor da ESPM, Adriano Gomes, o problema da inovação é que para alcançarmos algum patamar, os projetos deveriam ter sido iniciados há anos atrás. “O governo vive uma encruzilhada, isso leva muito tempo, são lições de casa que deveriam ter sido realizadas há décadas é, uma falta de visão estratégica do governo”, disse.

Apesar disso, ele acredita que medidas de curto prazo são importantes mas alerta que, desonerações como os ex-tarifários para alguns setores, já foram feitas em outras épocas, com a justificativa de que os investimentos maiores viriam no futuro e isso não ocorreu. O professor também criticou a indústria, que segundo ele só se preocupa com as taxas de câmbio e de juros sem colocar a inovação como uma prioridade da empresa.

Segundo o professor da Universidade Anhembi Morumbi, “essa questão das importações tem uma gama de produtos que a gente precisa importar, é positivo pensar no longo prazo, mas tem uma taxa de câmbio que prejudica a indústria no curto prazo; problemas sérios”.

De acordo a Camex, já foram concedidos 908 ex-tarifários neste ano que integram os projetos de investimentos no valor de US$ 9,7 bilhões e US$ 2,496 bilhões em importação de equipamentos.

Sobre a balança comercial, o Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel minimizou ontem o resultado do mês de março que teve superávit de US$ 164 milhões, o pior para o mês de março desde 2001.

“A balança está reagindo, março já foi um pouco melhor e nós esperamos que, a partir de agora, melhore mais ainda o saldo. Abril vai ser maior. Vamos trabalhar para repetir o ano passado. Não sabemos se é possível porque a situação internacional não está boa, a reação das commodities também está mais lenta do que a gente esperava, mas não tem nada que nos preocupe muito, não. Nós vamos conseguir um bom saldo”, disse Pimentel, que participou ontem de evento, no Ministério da Justiça, de instalação da câmara de ministros que vão atuar no Plano Nacional de Defesa do Consumidor.

De acordo com o ministério, o superávit em março não foi maior por causa da queda de 32,9% nas exportações brasileiras de petróleo, na comparação com março de 2012.

Questionado sobre a meta de superávit, o ministro respondeu que “nós nunca trabalhamos com meta de superávit. Nós trabalhamos com meta de exportação. Mas mesmo isso, hoje, é muito imprevisível. O que eu posso dizer é o seguinte: teremos saldo positivo na balança comercial este ano. Agora quanto, vamos ver a conjuntura internacional”.

O professor Gonella acredita que o superávit da balança comercial deve ficar no patamar de US$ 12 bilhões, abaixo dos US$ 19,43 bilhões alcançados no ano passado. No ano de 2011 o resultado da balança comercial foi de US$ 29, 79 bilhões, o maior dos quatro anos anteriores.

Fonte: DCI

Especialistas acreditam que mesmo com os esforços do governo, as condições econômicas e a falta de foco em inovação não devem estimular a indústria

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