29/11/2013 14h40 – Atualizado em 29/11/2013 14h40
Em entrevista por telefone à BBC de Londres, Francisco Maia, presidente da Acrissul, afirmou acreditar que o impasse envolvendo indígenas e fazendeiros no Estado está próximo do fim
Afirmou, “Cremos que chegaremos a uma solução definitiva para a questão, com os governos finalmente exercendo o seu papel institucional de dinamizar as relações sociais e por um termo aos confrontos que já atingiram todos os patamares possíveis”, afirmou Maia, a respeito de que todos os recursos já foram esgotados para equacionar o problema na esfera judicial. “Agora só resta a solução política e administrativa”.
Para Chico Maia, o retardo na solução do problema acabou produzindo o pior dos prejuízos que poderia haver. “Mais do que os prejuízos econômicos, mais do que os prejuízos sociais, a quebra da antiga confiança entre índios e não-índios acabou criando um clima de ‘bullyng racial’ entre as populações, principalmente nas regiões mais próximas da fronteira com o Paraguai, o que acirrou os ânimos e criou um ambiente de quase-guerra entre as populações”. É do conhecimento da Acrissul que atos de vandalismo e violação de direitos e liberdade individuais vêm sendo praticados a reboque dessa onda de ódio que vem sendo disseminado por conta do conflito agrário.
Segundo o ruralista, sempre houve uma convivência pacífica entre as populações indígenas e não-indígenas em Mato Grosso do Sul. Desacordos em relação à propriedade de terras sempre houve, mas o Estado vendeu e titulou áreas que hoje vêm sendo alvo de processos demarcatórios e contestadas na Justiça. “Direito à propriedade é um direito natural do homem. E as terras foram adquiridas legalmente. Não pode hoje a União querer destituir alguém de uma posse legítima instruído por tão somente o condão de expropriar”, ressaltou Maia, citando a Declaração Universal dos Direitos Humanos que veda a privação arbitrária da propriedade.
Bullyng racial
Na entrevista concedida à BBC, Maia demonstrou preocupação com o que ele considera ‘bullyng racial’. Para ele, a omissão do Governo Federal, a presença de ONGs internacionais e suspeitas, além da atuação da Igreja Católica – através do Cimi (Conselho Indigenista Missionário) – vêm contribuindo para a formação de clima de hostilidade nas populações indígenas em relação aos não-índios. “O Brasil é um País caracterizado por sua vasta diversidade racial, que formou uma população miscigenada, onde nunca houve clima de confronto entre grupos ou segmentos estimulados por questões étnicas”, lembra o ruralista.
Para Maia, ainda, o que não pode é o governo federal por um viés ideológico querer jogar brasileiros contra brasileiros num confronto por terras, quando sabemos que toda a conjuntura criada por esse “status quo” está fundamentada numa pretensa, obsoleta e anacrônica luta de classes que não tem mais razão de ser em nenhum lugar no mundo.
“Estamos todos unidos em torno de um único objetivo – resolver a crise causa pelo conflito de interesses envolvendo índios e fazendeiros em Mato Grosso do Sul e acreditamos em uma solução tempestiva, pacífica e definitiva”, conclui Francisco Maia, presidente da Acrissul.
Fonte: Acrissul

