08/03/2014 14h32 – Atualizado em 08/03/2014 14h32
Por: Gazeta do Campo
A equipe de pesquisadores e técnicos da Embrapas Floresta e Embrapa Pesca e Aquicultura visitou a fazenda “Não me Deixes”, no município de Quixadá, no Ceará, dando seguimento às pesquisas que lá são feitas pelo Projeto Biomas. Ela é a propriedade referência no Bioma Caatinga.
A fazenda pertence à família da escritora cearense Rachel de Queiroz, que foi transformada em RPPN – Reserva Particular do Patrimônio Natural – em 1999 por iniciativa da própria escritora. A propriedade possui elevado grau de conservação da vegetação nativa, com características importantes a serem identificadas e caracterizadas pela pesquisa.
Os pesquisadores iniciaram os estudos interativos de vegetação, solos e geomorfologia. A equipe de solos, com o Dr. Gustavo Curcio, Dr. Renato Dedecek e Dra. Michele Ramos, fez os estudos de segmentação da paisagem para reconhecer características que possam determinar mudanças na cobertura vegetal.
Foram feitas prospecções de solo, além da abertura de sete perfis, cinco nas encostas e dois em planície, para a retirada de amostras, partindo do topo das encostas até a planície. Na área estudada, foram identificadas expressivas mudanças dos solos, o que possibilita um melhor entendimento sobre a composição da vegetação e respectivas alterações graduais detectadas.
A partir deste estudo, o dr. Alexandre Uhlmann e a dra. Annete Bonnet conduziram as pesquisas em vegetação, em áreas próximas, de encosta e planícies. “Conhecer a vegetação específica presente em diferentes tipos de solos auxilia muito na amostra das espécies a serem escolhidas para as pesquisas futuras do projeto Biomas”, exemplifica Alexandre Uhlmann, pesquisador da Embrapa Florestas.
A análise integrada dos estudos de solos e vegetação, somada às informações obtidas junto a moradores da região, bem como proprietários e administradores das fazendas, possibilitam um melhor entendimento da dinâmica ambiental. O atual administrador da fazenda “Não me Deixes”, Manoel Dias Tavares, morador desde 1958, passou informações valiosas sobre as mudanças do clima, as espécies arbóreas e os sistemas de produção que já existiram e ainda existem na fazenda.
Atualmente, a propriedade produz milho e feijão, em pequena escala, e cria gado, ovelhas e cabras, com preservação ambiental da caatinga. “Tem que continuar conservando. Hoje em dia está tudo mudado. As secas estão muito perto umas das outras e fica muito mais difícil manter a caatinga”, alerta o seu Manoel.
Fonte: Embrapa

