07/04/2015 16h01 – Atualizado em 07/04/2015 16h01
Ainda que o dólar perca força em relação ao real, o impacto da alta recente da moeda na inflação não pode ser subestimado. Analistas consultados toda semana pelo Banco Central levaram em conta, mais uma vez, o fator câmbio e ajustaram as estimativas para o custo de vida no fim deste ano no Brasil. A mediana das projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2015 voltou a subir: de 8,13% para 8,20%. Foi a 14ª alta consecutiva.
Para 2016, as cerca de 100 instituições financeiras ouvidas pelo Boletim Focus do BC mantiveram a previsão de 5,60% de carestia. “O câmbio já está entregue, o repasse para a inflação é inevitável”, comentou Italo Abucater, da corretora Icap. Em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), as estimativas para este ano tiveram piora marginal: queda de 1,01% ante resultado negativo de 1% previsto na semana anterior. Para 2016, a aposta é de alta de 1,10%, um pouco maior que o 1,05% da última consulta.
O humor do mercado tende a melhorar, no entender de Reginaldo Galhardo, da Treviso Corretora, à medida que amenizar o embate entre Congresso e governo em torno do ajuste fiscal. “Aparentemente, a situação passou a ser mais bem conduzida, com o Joaquim Levy (ministro da Fazenda) à frente das negociações”, comentou. “O mercado está dando um voto de confiança.”
Abucater, a concretização das medidas fiscais será o mais importante. Por enquanto, na avaliação dele, a desconfiança permanece. “Estão acreditando que o Levy pode carregar um peso muito grande nas costas sozinho. E não pode. O país é um conjunto, não uma pessoa. Não adianta quererem criar um mártir e não resolver os problemas da economia”, disse. (DA)
Descrédito
Os analistas continuam sem acreditar que o governo cumprirá a meta de economizar um total de R$ 66,3 bilhões, um esforço equivalente a 1,2% do PIB. O mercado financeiro projeta superavit de 0,9% do PIB, incluindo a economia feita por Estados, municípios, Banco Central (BC), estatais e governo central. Em fevereiro, o setor público consolidado teve déficit de R$ 2,3 bilhões, conforme divulgou o BC na semana passada.
Fonte: Correio Braziliense


