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sexta-feira, 11 de setembro de 2026
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Trigo do Paraguai pode reforçar abastecimento do Brasil, mas custo na fronteira trava importações

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Indústria brasileira busca reduzir burocracia e despesas próximas de US$ 20 por tonelada para ampliar o comércio bilateral e atender à crescente demanda dos moinhos do Paraná, Sul e Sudeste

A indústria brasileira de trigo intensificou as negociações com autoridades e representantes da cadeia produtiva do Paraguai para reduzir os gargalos logísticos na fronteira e ampliar as importações do cereal. Atualmente, os custos operacionais de travessia chegam perto de US$ 20 por tonelada, valor que compromete a competitividade das operações comerciais entre os dois países.

O tema esteve no centro do Giro Abitrigo – Paraguai, promovido pela Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) entre os dias 1º e 3 de setembro. A missão reuniu mais de 45 representantes de moinhos e de outros segmentos ligados à triticultura brasileira.

Além de aproximar compradores nacionais de produtores e exportadores paraguaios, a iniciativa buscou avaliar a infraestrutura disponível, conhecer a qualidade do trigo produzido no país vizinho e discutir medidas para acelerar os procedimentos aduaneiros.

Burocracia encarece a entrada do trigo paraguaio

Durante a programação, industriais, agentes do comércio exterior e representantes dos ministérios da Agricultura do Brasil e do Paraguai, além da Receita Federal, discutiram alternativas para simplificar o transporte de cargas na região de fronteira.

Um dos principais pontos apresentados foi a necessidade de tornar mais eficientes os procedimentos realizados no porto seco da Algesa, no Paraguai, e no Terminal Multilog, no Brasil. Na avaliação do setor, a redução da burocracia e do tempo de liberação das cargas poderia estimular imediatamente as negociações.

Segundo o superintendente da Abitrigo, Eduardo Assêncio, o chamado “custo fronteira” representa uma barreira relevante para o avanço do comércio bilateral.

“Segundo os operadores locais, estamos falando de quase US$ 20 por tonelada em custos operacionais de travessia. É um valor expressivo dentro da formação dos preços internacionais do trigo, e qualquer melhoria operacional poderá estimular rapidamente o comércio entre Paraguai e Brasil”, afirmou.

Paraná deve ampliar importações de trigo em 2027

A busca por fornecedores alternativos ganha importância diante das mudanças observadas na produção de trigo do Sul do Brasil. No Paraná, principal estado produtor do cereal, parte dos agricultores vem direcionando áreas para culturas consideradas mais rentáveis.

A redução da área cultivada deve aumentar a dependência dos moinhos paranaenses em relação ao trigo importado. A indústria estima que o estado poderá precisar comprar entre 1,5 milhão e 1,7 milhão de toneladas do cereal no ciclo de 2027.

Nesse cenário, o Paraguai aparece como fornecedor estratégico devido à proximidade geográfica e à possibilidade de atender moinhos instalados no Paraná, em São Paulo e em outros estados das regiões Sul e Sudeste.

A expansão das compras, entretanto, dependerá da redução dos custos logísticos e da construção de procedimentos mais ágeis entre os órgãos responsáveis pelo controle das cargas nos dois lados da fronteira.

Trigo paraguaio apresenta qualidade valorizada pelos moinhos

Além da localização favorável, o trigo produzido no Paraguai possui características técnicas consideradas importantes pela indústria brasileira. A composição do cereal e sua força de glúten permitem que o produto seja utilizado como melhorador de farinha, complementando o trigo cultivado no Brasil.

Durante a missão, a comitiva visitou lavouras na região de Santa Rita para conhecer as práticas de manejo, os cuidados sanitários e o padrão produtivo adotado pelos agricultores paraguaios.

O grupo também esteve na Cooperativa Colonias Unidas, em Obligado, onde acompanhou programas de multiplicação de sementes e tecnologias destinadas à melhoria da qualidade do grão.

Outra parada ocorreu no campo experimental da Cámara Paraguaya de Exportadores y Comercializadores de Cereales y Oleaginosas (Capeco) e da Genética Vegetal del Paraguay S.A. (Genepar). No local, foram apresentados ensaios com novas variedades desenvolvidas para atender às necessidades técnicas dos moinhos brasileiros.

Paraguai pretende retomar área de 600 mil hectares

A cadeia produtiva paraguaia vem direcionando investimentos ao melhoramento genético e à tecnologia agrícola para aumentar a oferta exportável e adequar o trigo às exigências da indústria moageira.

De acordo com o presidente da Capeco, José Berea, o objetivo do setor é recuperar o patamar de 600 mil hectares cultivados com o cereal no país.

Berea afirmou que a visita da indústria brasileira permitiu apresentar diretamente o potencial das lavouras paraguaias e discutir a comercialização do excedente disponível. A ampliação da área poderá consolidar o Paraguai como importante fornecedor complementar ao mercado brasileiro.

Moinhos defendem integração entre as cadeias produtivas

Para os compradores brasileiros, a visita técnica permitiu compreender melhor tanto as oportunidades comerciais quanto as limitações enfrentadas pelos produtores e exportadores paraguaios.

O diretor de Originação e Financeiro da S.A. Moageira & Agrícola Irati, André Vosnika, destacou que a empresa já compra trigo do país vizinho, mas ainda enfrenta dificuldades nos procedimentos de importação.

Segundo ele, o contato direto com produtores, pesquisadores e desenvolvedores de genética mostrou que os entraves não se restringem à burocracia. Também existem desafios relacionados à infraestrutura e à necessidade de maior coordenação entre Brasil e Paraguai.

O presidente do Conselho da Infasa e Belarina, Arnei Antônio Frasson, ressaltou que o Paraguai é um fornecedor importante, especialmente para a indústria instalada no Paraná. Para o executivo, a aproximação contribui para ampliar o conhecimento dos moinhos sobre o sistema produtivo do país vizinho.

Cooperação pode ampliar comércio de trigo no curto prazo

A avaliação da Abitrigo é que o encontro abriu espaço para uma nova fase de cooperação bilateral. A interlocução direta entre moinhos, produtores, exportadores e autoridades poderá resultar em ajustes institucionais e operacionais capazes de reduzir os custos de importação.

Eduardo Assêncio afirmou que a missão permitiu apresentar aos fornecedores paraguaios as necessidades específicas da indústria brasileira e identificar disposição para aprimorar a qualidade e a regularidade das entregas.

A expectativa do setor é que os entendimentos construídos durante a expedição tragam resultados no curto e no médio prazo. Com a possível redução da produção no Paraná e a maior necessidade de abastecimento dos moinhos, a eficiência da fronteira será determinante para transformar o potencial do trigo paraguaio em negócios concretos no mercado brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

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