Setor enfrenta restrição de crédito e custos elevados, mas mantém resiliência com tecnologia e estratégias de gestão financeira
O agronegócio brasileiro, um dos principais motores da economia nacional, atravessa um período de ajustes marcado por condições climáticas imprevisíveis, aumento do endividamento e restrição no acesso ao crédito. De acordo com o economista Ricardo Gaspar, gerente financeiro da BRQ Brasilquímica, esses fatores têm pressionado as margens de lucro e impactado diretamente a rentabilidade das produções agrícolas.
Em análise recente, Gaspar destacou que o avanço dos custos de insumos, aliado à volatilidade dos preços das commodities, reforça a importância da gestão estratégica e da inovação tecnológica como caminhos para garantir competitividade e sustentabilidade no campo.
Inadimplência rural cresce e acende alerta no mercado financeiro
Dados da Serasa Experian apontam que a inadimplência entre produtores rurais atingiu 7,9% no primeiro trimestre de 2025, alta de 0,3 ponto percentual em relação ao trimestre anterior e de 0,9 ponto frente ao mesmo período de 2024.
Embora o índice ainda seja considerado sob controle, o aumento acende um sinal de alerta. O avanço da inadimplência tende a levar o setor financeiro a endurecer critérios para concessão de crédito, com juros mais altos e maiores exigências de garantias — movimento que pode limitar investimentos em tecnologia, armazenagem e infraestrutura.
Esses elementos, segundo especialistas, são fundamentais para sustentar a produtividade e a competitividade do agro brasileiro no longo prazo.
Setor passa por ajustes, não por crise
Apesar das dificuldades, Gaspar pondera que o cenário atual não deve ser interpretado como uma crise, mas sim como um período de adaptação e reestruturação.
“O aumento da inadimplência não é um problema isolado, mas um sinal da necessidade de fortalecer a gestão de risco e o relacionamento entre produtores e instituições financeiras”, afirma.
Para o economista, o momento exige planejamento, eficiência operacional e integração de dados, de modo que informação e tecnologia se tornem instrumentos essenciais na mitigação de riscos e na tomada de decisões.
Inovação tecnológica impulsiona a gestão financeira no campo
A digitalização do agronegócio vem transformando a forma como o crédito rural é avaliado e concedido. Plataformas tecnológicas modernas permitem analisar o perfil dos tomadores em tempo real, com base em dados climáticos, históricos de produtividade e indicadores de mercado.
Essas soluções ampliam a precisão das análises e ajudam a equilibrar rentabilidade e segurança financeira, especialmente em um cenário de juros elevados e margens estreitas.
Inteligência artificial e dados integrados reduzem risco de crédito
Com mais de três décadas de atuação no setor de nutrição de plantas, a BRQ Brasilquímica tem apostado em inteligência artificial e integração de dados para aprimorar sua política de crédito e manter baixos índices de inadimplência.
“Atualizamos cadastros constantemente, utilizamos modelos modernos de garantia e cruzamos informações de diversas fontes — incluindo imagens de satélite e dados de mercado — para tornar as análises mais precisas”, explica Gaspar.
Segundo ele, essa abordagem permite identificar tomadores de alto risco, definir limites de crédito adequados e otimizar a alocação de capital, fortalecendo a saúde financeira e a eficiência operacional da empresa.
Desafio é equilibrar responsabilidade e incentivo
Gaspar conclui que o verdadeiro desafio da concessão de crédito no campo está em equilibrar responsabilidade e incentivo.
“O agronegócio brasileiro segue resiliente. Com planejamento, inovação e gestão eficiente, o setor continua sendo um dos principais vetores de crescimento econômico do país”, destaca o economista.

